PROCURANDO POR ALGO?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PARA QUE SERVE UM HOMEM?



Afinal, homem serve para quê? Ah, para uma porção de coisas, e todas ótimas. Para namorar, por exemplo, ainda não se descobriu nada melhor. Pensar neles, sonhar com eles, fantasiar a vida com eles, às vezes, é quase tão bom quanto estar com eles. Mas como saber se ele está ou não cumprindo sua função? Simples! É quando você tem vontade de se enfeitar, trocar de penteado, fazer depilação, pôr um vestidinho, comprar um sapato de salto alto, vontade de fazer ginástica... Se você faz tudo isso, e com a maior alegria, é porque ele merece. Um homem que sabe apreciar seu brinquinho, nota quando mudou o cabelo, é muito, muito estimulante. Ter um homem que desperta a vontade de enfrentar uma cozinha, de voltar do trabalho correndo e, mesmo exausta, passar no supermercado para comprar manteiga sem sal que ele gosta. Um homem que sabe, em caso de necessidade, pregar um prego, trocar um fusível, matar uma barata... Sinceramente, tem melhor? Tem sim, e ainda tem muito mais. Um homem que faz você gostar dele apaixonadamente, que dorme abraçado com você no inverno, que ouve seus problemas sem bocejar, que conversa, que ajuda... Com quem quer ter filhos e planos de envelhecer junto... Ah, isso é bom. Se você encontra um que te faz sentir tudo isso, agradeça a Deus: é apenas a melhor coisa do mundo!

Texto de Danusa Leão

DO QUE É FEITO UM GRANDE AMIGO...

DO QUE É FEITO UM GRANDE AMIGO...

Sandra Mamede

Deus na sua extrema sabedoria
observando o homem,
percebeu que ele além da esposa,
dos pais e dos filhos
precisava de mais alguém
para completar a sua felicidade
e então Ele resolveu
criar alguém muito especial


E para isso
Ele resolveu juntar algumas boas qualidades
para formar esta pessoa muito especial.

Ele juntou a paciência,
a compreensão,
o carinho,
e o amor
que são típicos da mãe.

Colocou um pouco de determinação,
de força, de decisão, tirados do pai.

..e percebendo
que ainda faltava alguma coisa,
misturou a tudo isso
a pureza,
a espontaneidade,
a alegria,
a irreverência
e a sinceridade das crianças.

Para dar o retoque final
Ele acrescentou a paciência,
e a moderação dos avós.

Disso tudo surgiu
um alguém muito especial,
importante e fundamental
na vida de todos nós.

E de toda essa mistura de boas qualidades
e de tudo que é bom, surgiu
o AMIGO...

Surgiu VOCÊ!!!...







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A IMPORTÂNCIA DO DIA E O SIGNIFICADO DA FESTA LITÚRGICA DA QUINTA-FEIRA SANTA!

Nesta Quinta-feira Santa postamos especialmente para você:

- Dois comentários iniciais explicando a importância deste grande dia
- Uma sintética explicação sobre o TRÍDUO PASCAL.
-Liturgia: Leituras, Salmo e Evangelho comentados da Quinta-feira Maior.
- Recomendações da CNBB para o Tríduo Pascal.
- Sugestões para a Celebração e a Vivência da Liturgia da Quinta-feira Santa.

Um abraço e feliz Páscoa para todos!!!
Lusmar Paz

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21 de Abril - Quinta-feira Santa!

Na Quinta-feira Santa, celebramos o mistério da Instituição da

Eucaristia e a Instituição do Minsitério Sacerdotal.
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Acompanhe conosco
O Especial da Semana Santa.

A Última Semana de Jesus!

É a semana da nossa reconciliação com Deus.
É a semana da vitória da vida sobre a morte, da Graça sobre o
pecado.
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SEMANA SANTA - PASSO A PASSO

A Semana Santa começa hoje (17/04/11), com o Domingo de Ramos. Dentre todas as festividades da Igreja, nesta Semana se encontram aquelas importantes Celebrações, que são o núcleo do ano litúrgico e o cerne da vida dos cristãos, ou seja, o Tríduo Pascal (Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Sábado Santo ou Sábado de Aleluia ou Sábado da Ressurreição), culminando no ponto mais alto do cristianismo, que é o Domingo de Páscoa, quando Jesus ressuscitou, vencendo a morte.
Alguns cristão pensam que a Celebração mais importante é o Natal, mas não é. A Páscoa é a Celebração mais importante e é nela que se fundamenta todo o ano litúrgico da Igreja; todas as outras Festas e Solenidades.
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(Obs.: Após a Semana Santa , continuaremos com o "Especial" sobre a Vida e a Beatificação de João Paulo II)
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Iniciamos o TRÍDUO PASCAL
com a
QUINTA-FEIRA SANTA

O que vem a ser "O Tríduo Pascal?"

Artigo publicado originalmente em
O Encontro, boletim informativo da
paróquia Coração Imaculado de Maria,
edição nº 21, de abril de 2006

por diácono Francisco Gonçalves

Para que seja plenamente entendido o significado do Tríduo Pascal, torna-se fundamental entender o sentido que existe no conceito de “tempo”. O que significa o tempo? Explicá-lo é sempre dificultoso, já o dizia Santo Agostinho: “Se ninguém me pergunta sei o que é, mas se eu quiser explicar não sei o que é”. Na verdade, existe um tempo cósmico, que é o tempo que existe e passa, e nele ocorre o desenvolvimento da história humana. Diferentemente, existe o tempo sagrado, que pode ser recuperado pela pessoa humana e ser celebrado para agradecer e louvar a divindade. Ora, Cristo entra no tempo e condiciona a história. Para a Igreja, a história é o lugar da revelação divina. Deus se mostra e se desvela no tempo.

Os cristãos criaram seu tempo sagrado ao organizarem seu ano litúrgico, começando pela organização de sua semana. Como no primeiro dia da semana Deus iniciou a criação fazendo a distinção entre a luz e as trevas, com Jesus Cristo ressuscitado surge a nova criação. Ele vence as trevas com a luz da sua ressurreição. Por isso, na Igreja primitiva, os cristãos se reuniam e celebravam a Páscoa de Jesus Cristo, não mais no sábado, mas no domingo (Dia do Senhor). Assim, cada domingo era evento pascal. Um dia de domingo anual era a festa maior de Páscoa. Cessando as perseguições dos romanos aos cristãos, no século IV, a Igreja, com mais liberdade, foi ampliando a celebração do mistério pascal para mais dias. Aos poucos foram surgindo: o Tríduo Pascal, o Tempo Pascal, a Oitava de Páscoa, a festa da Ascensão e de Pentecostes, a Quaresma e o Domingo de Ramos.
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Tríduo Pascal
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São os três dias mais importantes de todo o nosso calendário litúrgico, sendo o ponto culminante a Vigília Pascal. O tríduo se inicia com a celebração da Quinta-feira Santa e termina com as vésperas do Domingo da Ressurreição.

Quinta-feira Santa da Ceia do Senhor. Nesta celebração, somos convidados a celebrar a Nova Aliança selada com o Corpo e o Sangue do próprio Cristo. O gesto do lava-pés mostra Jesus como aquele que veio para servir e ao mesmo tempo nos convoca ao serviço do Reino.
Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor. Nesta celebração, somos convidados a compreender e a viver mais profundamente o mistério da cruz.
Sábado Santo. É o dia da oração silenciosa. Recordamos a morte e o sepultamento de Cristo.
Vigília Pascal e Domingo da Ressurreição. É a festa da Vida Nova: a Liturgia do Fogo e da Luz, em que o Círio Pascal é aceso com o fogo novo e representa o Cristo Ressuscitado que, com sua luz, vence a escuridão; a Liturgia da Água e do Batismo, quando toda a assembléia é convidada a renovar as promessas batismais e a professar solenemente a fé; e a Liturgia Eucarística.
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a) Comentário Sintético -QUINTA-FEIRA SANTA
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Celebramos, hoje, a memória da Ceia do Senhor, com a instituição da Eucaristia. Para bem compreendermos o gesto salvífico de Jesus, urge situar-nos nos gestos concretos realizados por Ele. A Eucaristia não vem como algo separado de outras ações do Mestre. Ele próprio nos demonstra isso, ao executar o gesto do Lava-pés minutos antes da ceia judaica. Isto porque o serviço, a caridade devem acompanhar a partilha do que os irmãos de fé têm e são. Em comunidade reconciliada, onde perdão e mútua preocupação acontecem, é possível viver eucaristicamente.
Celebração do dia: Lava-pés e Missa da Ceia do Senhor (horário: ao entardecer)
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b) Comentário mais detalhado
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A liturgia de Quinta-Feira Santa é riquíssima de conteúdo. É o grande dia da instituição da Sagrada Eucaristia, dom do Céu para os homens; o dia da instituição do sacerdócio, nova prenda divina que assegura a presença real e atual do Sacrifício do Calvário em todos os tempos e lugares, tornando possível que nos apropriemos dos seus frutos.
Aproximava-se o momento em que Jesus ia oferecer a sua vida pelos homens. Tão grande era o seu amor, que na sua Sabedoria infinita encontrou o modo de ir e de ficar, ao mesmo tempo. São Josemaria, ao considerar o comportamento dos que se vêem obrigados a deixar a sua família e a sua casa, para procurar emprego em outro lugar, comenta que o amor humano costuma recorrer aos símbolos. As pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, talvez uma fotografia… Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas uma realidade. Fica Ele mesmo. Embora vá para o Pai, permanece entre os homens. Sob as espécies do pão e do vinho está Ele, realmente presente, com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade.

Como responderemos a esse amor imenso? Assistindo com fé e devoção à Santa Missa, memorial vivo e atual do Sacrifício do Calvário. Preparando-nos muito bem para comungar, com a alma bem limpa. Visitando Jesus com freqüência, escondido no Sacrário.
A primeira leitura da Missa, recorda o que Deus estabeleceu no Antigo Testamento, para que o povo israelita não se esquecesse dos benefícios recebidos. Desce a muitos detalhes: desde como devia ser o cordeiro pascoal, até aos pormenores que tinham de cuidar para recordar a passagem do Senhor. Se isso se prescrevia para comemorar alguns acontecimentos históricos, que eram só uma imagem da libertação do pecado realizada por Jesus Cristo, como deveríamos comportar-nos agora, quando verdadeiramente fomos resgatados da escravidão do pecado e feitos filhos de Deus!

Esta é a razão por que a Igreja nos inculca um grande esmero em tudo o que se refere à Eucaristia. Assistimos ao Santo Sacrifício todos os domingos e festas de guarda, sabendo que estamos participando numa ação divina?
São João relata que Jesus lavou os pés dos discípulos, antes da Última Ceia. Temos de estar limpos, na alma e no corpo, e aproximarmos para recebê-lo com dignidade. Para isso nos deixou o Sacramento da Penitência.

Comemoramos também a instituição do sacerdócio. É um bom momento para rezar pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes, e para rogar que haja muitas vocações no mundo inteiro. Pediremos melhor na medida em que tenhamos mais diálogo com esse Jesus, que instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio. Vamos dizer, com total sinceridade, o que repetia São Josemaria: Senhor, põe no meu coração o amor com que queres que eu te ame.
Na cena de hoje Nossa Senhora não aparece fisicamente, ainda que estivesse em Jerusalém naqueles dias: encontrá-la-emos amanhã ao pé da Cruz. Mas já hoje, com a sua presença discreta e silenciosa, acompanha muito de perto o seu Filho, em profunda união de oração, de sacrifício e de entrega. João Paulo II assinala que, depois da Ascensão do Senhor ao Céu, participaria assiduamente nas celebrações eucarísticas dos primeiros cristãos. E acrescenta o Papa: aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre! Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d'Ela (Ecclesia de Eucharistia, 56).

Também agora Nossa Senhora acompanha Cristo em todos os sacrários da terra. Peçamos-lhe que nos ensine a ser almas de Eucaristia, homens e mulheres de fé segura e de piedade forte, que se esforçam por não deixar Jesus só. Que saibamos adorá-lo, pedir-lhe perdão, agradecer os seus benefícios, fazer-lhe companhia.
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Quinta-feira, 21 de abril de 2011
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Ceia do Senhor - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Branca

Hoje: Dia de Tiradentes, dia do Metalúrgico, dia da Latinidade, dia do Policial Civil e Militar.

Santos: Anselmo (arcebispo e doutor), Simeão Bársabas (bispo e seus companheiros mártires), Anastácio I de Antioquia (bispo), Beuno (abade), Malrúbio ou Maelrubha (abade), Conrado de Parzão (confessor franciscano da 1ª ordem), Sílvio.

Antífona: A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou. (Gl 6, 14)

Oração: Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
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Leituras Santa Missa - Quinta-feira Santa
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I Leitura: Êxodo (Ex 12, 1-8.11-14)
Páscoa, a passagem da escravidão do Egito à liberdade

Naqueles dias, 1o Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2"Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: 'No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. 4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro. 5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de 7Israel reunida o imolará ao cair da tarde.

Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a páscoa, isto é, a 'passagem' do Senhor!
12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. 13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua". Palavra do Senhor.
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Comentando a I Leitura
Celebrar a Páscoa no espírito de caminhada
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O relato da celebração da Páscoa israelita está inserido no contexto do movimento de libertação da escravidão no Egito. É a atualização de um ritual antigo, realizado entre os pastores, para reconciliar-se com a divindade, afastar os maus espíritos e, assim, assegurar o bem-estar das famílias com seus rebanhos. A experiência da libertação dos escravos no Egito torna-se a marca registrada de sua própria identidade. O povo de Israel nasceu com o êxodo. Diversos grupos de diferentes origens unem-se ao redor de um projeto de liberdade e autonomia. Pouco a pouco, vai se firmando a consciência de pertença ao “povo de Deus”. De fato, somente sob a intervenção divina foi possível a caminhada de libertação. Essa certeza atravessa as gerações, conforme constatamos nos diversos escritos do Primeiro Testamento.

A celebração da Páscoa foi sendo adotada por Israel como memória exemplar do acontecimento fundante do êxodo. Ela atualiza a presença de Deus na história do povo. É uma presença atenta e atuante na defesa da vida das pessoas oprimidas. Celebrar a memória do êxodo, portanto, significa reavivar a consciência de ser um povo abençoado. Significa reanimar o povo para a fidelidade à aliança com Deus, que é companheiro na caminhada. É comprometer-se, no presente, com o processo de libertação. A Páscoa, portanto, é memória subversiva.

Unindo elementos antigos e novos, a narrativa da Páscoa enfatiza a necessidade da celebração por ordem divina, num dia preciso, no “primeiro mês do ano”. Corresponde ao início da primavera, tempo em que desabrocha a vida nova. O cordeiro é essencial nessa celebração: é a oferta de cada família e de toda a comunidade, em reconhecimento à bondade divina. Para isso, é escolhido e preparado um cordeiro, sem defeito, para imolá-lo. A integridade física do animal é o que de melhor o povo pode ofertar a Deus como sinal de gratidão por tudo o que ele oferece.

O sangue para marcar a porta da casa tem o sentido de garantia de vida para as pessoas que nela habitam. É um povo eleito sob a proteção de Deus. Não será atingido pela última praga, ou seja, a morte dos primogênitos (a narrativa da Páscoa está situada entre a penúltima e a última praga). Assim, o povo terá um futuro garantido sob as bênçãos divinas.
A refeição é feita num clima de urgência – rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão –, atualizando assim a movimentação do povo escravizado em vista de sua libertação. Com ervas amargas, para lembrar a vida difícil do povo enquanto escravo no Egito; com pães ázimos, pois a pressa não permite que o fermento possa levedar a massa. O pão puro é símbolo de fidelidade ao projeto de libertação, que inclui a caminhada pelo deserto, animados pelo sonho da terra prometida. Como se vê, o ritual da Páscoa é memória ligada ao compromisso de caminhar na conquista de um mundo de liberdade, paz e dignidade. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]
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Salmo: 115(116B), 12-13.15-16bc.17-18 (+cf.1Cor 10,16)
O cálice por nós abençoado é a nossa
comunhão com o sangue do Senhor

12Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? 13Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.
15É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. 16bcEis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
17Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. 18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.
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II Leitura: Coríntios (Cor 11, 23-26)
Jesus Cristo, nossa Páscoa definitiva
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Irmãos, 23o que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória". 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: "Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória". 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. Palavra do Senhor!
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Comentando Cor 11, 23-26
A instituição da eucaristia
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O texto da liturgia de hoje corresponde ao relato mais antigo da última ceia de Jesus. São Paulo revela ser a transmissão do que ele mesmo recebeu do Senhor: trata-se da tradição dos apóstolos, que, por serem eles testemunhas oculares de Jesus histórico, é respeitada com veneração.
A ceia, celebrada pelas comunidades cristãs primitivas, não seguia fórmulas fixas e uniformes. De modo comum, era realizada em forma de refeição, ocasião em que se fazia – comemorando a sua entrega – a memória de Jesus, cujo corpo é representado pelo pão e pelo vinho. É celebração da nova aliança, inaugurada por Jesus e da qual os cristãos se tornam participantes.
No texto da liturgia de hoje, percebemos os elementos essenciais da eucaristia. Jesus a instituiu como memória de sua morte. É sacrifício (= ação sagrada), dom total de Jesus, em consciência e liberdade, pela vida do mundo. É sustento para os que dela participam, comprometidos na vivência do amor, até que Jesus venha.
É bom não esquecer o contexto imediato em que o texto está inserido (11,17-24). Paulo pronuncia-se em forma de reprimenda. A Igreja de Corinto reunia-se no propósito de participar da ceia sem o principal requisito para a celebração: a solidariedade com os pobres. A divisão existente na comunidade revelava uma conduta egoísta e discriminatória. A participação do mesmo pão e do mesmo cálice é comunhão com o Corpo do Senhor, a qual não pode estar dissociada da comunhão com os irmãos, ainda mais com o agravante de serem pessoas necessitadas. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]
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Evangelho: João (Jo 13, 1-15)
O verdadeiro sentido no serviço aos irmãos
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1Era antes da festa da páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: "Senhor, tu me lavas os pés?" 7Respondeu Jesus: "Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás". 8Disse-lhe Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!" Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". 9Simão Pedro disse: "Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça". 10Jesus respondeu: "Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos". 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: "Nem todos estais limpos".
12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: "Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz". Palavra da Salvação!
Leituras paralelas: Mt 20,20-28; Mc 10,35-45; Lc 22, 24-27
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Comentário do Evangelho
Jesus, modelo de servidor
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O Evangelho de João não relata a última ceia de Jesus, como fazem Paulo e os evangelhos sinóticos. Supõe que as comunidades já a conheçam. O que ele faz é introduzir um gesto original de Jesus após a ceia: o lava-pés. Atenta para o fato de Jesus estar ciente da chegada da “hora”, o momento decisivo de sua missão. É o seu êxodo definitivo. Pela cruz, deverá deixar este mundo e ir para o Pai. Os discípulos, porém, continuarão nele. Jesus os ama até o fim e contará com eles para que sua obra tenha prosseguimento.
O gesto do lava-pés é, por excelência, o modelo de comportamento que os seguidores de Jesus deverão seguir. O Mestre e Senhor se faz servo dos seus discípulos, também daquele que já consentira em traí-lo. O seu amor é incondicional, como revelara em toda a sua missão. Por isso, rompera com todas as instituições que discriminam e matam. Chegou sua “hora”, e ele a acolhe com plena consciência e responsabilidade. Entrega sua vida não arrastado pelas circunstâncias, mas na liberdade, demonstrando o seu amor até o extremo, coerente com sua opção de fidelidade ao plano de salvação de Deus.

O lava-pés simboliza o amor como doação plena. Dá-se em forma de serviço. Cai por terra todo espírito de poder. Caem por terra a vingança e toda espécie de violência. Jesus inverte os valores dominantes na sociedade. Constitui uma nova comunidade humana, cuja nota característica é o serviço mútuo. Pedro, o líder do grupo, num primeiro momento não consegue entender. É representante dos que ainda procuram um Messias triunfalista, distante das realidades conflituosas deste mundo. O seguimento de Jesus, porém, dá-se pelo caminho da “cozinha” e do “avental”. Tudo o que simboliza o lava-pés, cuja síntese é o amor-serviço, leva à participação da mesma vida de Jesus. Pedro entenderá o verdadeiro significado após a morte do Mestre. Por causa de sua opção pelo seguimento de Jesus, será também perseguido e partilhará do mesmo destino dele.

A comunidade cristã não pode caminhar na desigualdade. Não é uma comunidade de chefes e súditos e sim de servidores. A pergunta de Jesus após o lava-pés transforma-se em permanente desafio para todos nós: “Vocês compreenderam o que acabei de fazer? (...) Vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz”. [Celso Lorashi, Mestre em Teologia Dogmática, Vida Pastoral, n.277, Paulus]
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Cristo institui o sacramento do amor
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A instituição da eucaristia como rito memorial da nova aliança é certamente o aspecto mais evidente da celebração atual, que, aliás, justifica a sua solenidade como uma evocação "histórica" e figurativa do acontecimento realizado na última ceia. Mas é o próprio missal romano que convida a meditar sobre outros dois aspectos do mistério deste dia: a instituição do sacerdócio ministerial e o serviço fraterno da caridade. De fato, sacerdócio e caridade estão estreitamente ligados com o sacramento da eucaristia, compreendido em sua globalidade e de modo mais preciso.
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Jesus lava os pés dos seus: é um gesto de amor
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É significativo o fato de João não referir os gestos rituais sobre o pão e o vinho, como os outros evangelistas, ao referir as últimas horas de Jesus com seus discípulos e ao reunir nos "discursos da última ceia" os temas fundamentais do seu evangelho; no entanto, era esse um dado fixo e antiquíssimo da tradição na comunidade, que vemos relatado em forma bem definida no primeiro documento que dele fala, a carta de Paulo aos coríntios (1ª leitura).
João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mutuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -' através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: o amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que creem.
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Jesus se dá em alimento; é o sacramento do amor
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É a mesma realidade que o rito da ceia, em sua repetição até o fim dos tempos e em sua necessária simplicidade de forma (estilizada) exprime com outra linguagem; mas só quem é "iniciado" pode compreendê-la, e quem vive ou se esforça por viver todos os dias aquilo que exprime no momento da assembleia. Só participamos autenticamente da eucaristia, memorial do sacrifício de Jesus, quando ela é também memorial do nosso sacrifício.

Em outras palavras, trata-se de ter para com o corpo eclesial do Cristo aquele respeito que se tem por seu corpo eucarístico. A presença real do Senhor morto e ressuscitado no pão e no vinho, sobre os quais se diz a ação de graças (cf 2ª leitura), se estende, embora de outro modo, à pessoa dos irmãos, especialmente dos mais pobres (cf todo o contexto de 1 Cor cap. 11); quem faz discriminação, quem despreza os outros, quem mantém divisões na comunidade "não reconhece o corpo do Senhor". Sua ceia não é mais a Ceia do Senhor, mas um rito vazio que expressa sua condenação.
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O sacerdócio nasce da eucaristia; é o dom para a unidade
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Dentro da comunidade, as relações recíprocas são avaliadas em nível de serviço e não de poder, e encontram sua mais perfeita expressão no momento da ação eucarística. Quem "preside" à comunidade e é por ela responsável, preside também à eucaristia; reúne-a na oração comum, como a une nas diversas atividades da palavra e do auxilio mútuo. Para ser coerentes com seu ministério sacramental, o bispo com os sacerdotes (e os diáconos) são os mais próximos do Cristo servo na consagração total de suas forças e sua vida à atividade eclesial. O Concilio Vaticano II exprime a relação dos vários aspectos do ministério sacerdotal com a celebração da eucaristia: "Os presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participando, no grau próprio de seu ministério, da função de Cristo Mediador único (cf 1Tm 2,5), a todos anunciam a palavra de Deus. Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no culto eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando seu mistério, eles unem Os votos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no sacrifício da missa o único sacrifício do Novo Testamento, isto é, o sacrifício de Cristo que, como hóstia imaculada, uma vez por todas se ofereceu ao Pai... Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo... De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus". [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]
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Oração da assembleia (Missal Dominical, Paulus, 1995)
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Pelas comunidades cristãs, para que realizem sempre melhor sua vocação de serviço dos homens na busca da verdade e em gestos concretos de amor, rezemos ao Senhor: Ajudai-nos Senhor!
Pelos ministros da Igreja, para que desempenhem seu serviço da palavra dos sacramentos e da comunhão eclesial com os sentimentos de Jesus, rezemos ao Senhor:
Por todos nós que celebramos esta páscoa, para que possamos encontrar a dimensão familiar da eucaristia, a alegria de pertencer a uma comunidade e sermos, juntos, abertos a todos os outros, rezemos ao Senhor:
Preces espontâneas
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Oração sobre as Oferendas:
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Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar dignamente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
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Antífona da comunhão:
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Este é o corpo que será entregue por vós, este é o cálice da nova aliança no meu sangue, diz o Senhor. Todas às vezes que os receberdes, fazei-o em minha memória. (1Cor 11, 24-25)
Oração Depois da Comunhão:
Ó Deus todo-poderoso, que hoje nos renovastes pela ceia do vosso Filho, dai-nos ser eternamente saciados na ceia do seu reino. Por Cristo, nosso Senhor.
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Para sua reflexão: Oferecer ao hóspede água para lavrar os pés da poeira do caminho era gesto de cortesia; em algum caso um servo poderia fazê-lo, ou um discípulo dedicado a seu mestre. Jesus inverte espetacularmente os papeis: sua ação simbólica é fenomenal. A reação apaixonada de Pedro diante do ato de rebaixar-se do Mestre e o não menos apaixonado desejo de não afastar-se dele. Mais importante que a humildade e o respeito é obedecer ao Mestre. Pedro só entenderá o gesto depois. A humilhação presente de Jesus, voluntária, incrível, representa a morte que ele vai realizar para obter-nos a vida eterna. É o valor exemplar do gesto, o sentido de serviço humilde que deve animar a vida do cristão e que carrega consegue uma bem-aventurança. O que Jesus fez, afinal, foi dar a vida pelos outros, por nós cristãos. A lavação dos pés tem uma dimensão simbólica e sacramental. O Senhor e Mestre deu aos discíupulos uma lição de como agir na comunidade cristã. Será feliz quem buscar servir como Jesus.
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Recomendações da CNBB para o Tríduo Pascal
Comunhão no Tríduo Santo
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1. Aos fiéis em geral pode-se dar a santa Comunhão: a) na quinta-feira Santa somente dentro da Missa; não fora da Missa, nem de manhã nem de tarde. B)Na sexta-feira somente dentro da solene Ação Litúrgica vespertina. C) N Sábado Santo somente dentro da Missa da Vigília Pascal.
2. Aos doentes que não podem participar da celebração litúrgica: a) na quinta-feira Santa e na sexta-feira Santa, pode-se administrar de manhã ou de tarde. B) No Sábado Santo não pode ser administrada.
3. Aos gravemente doentes pode-se dar o Santo Viático a qualquer hora do dia ou da noite
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Missa no Tríduo Sacro
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1. Na quinta-feira Santa, é celebrada só uma Missa principal (ou Conventual) vespertina nas igrejas ou oratórios em que se fazem as solenidades ou cerimônias litúrgicas da Semana Santa. Nas catedrais também uma Missa do Crisma é celebrada pela manhã. O Ordinário pode permitir, para o bem dos fiéis, uma Missa vespertina nas igrejas ou oratórios em que não se fazem as celebrações da Semana Santa.
2. Quando a exigência pastoral o pedir, o Ordinário do lugar pode permitir que além da Missa principal da Ceia do Senhor, seja celebrada outra, à tarde, nas igrejas e nos oratórios. Em caso de verdadeira necessidade, também pode permitir que a celebração desta Missa seja feita de manhã, mas só para os fiéis que estejam impossibilitados de participar na Missa vespertina, evitando, porém, que tais celebrações sejam autorizadas em favor de particulares, ou prejudiquem a Missa vespertina, que é a principal.
3. Os sacerdotes que concelebrarem a Missa do Crisma podem (com)celebrar novamente a Missa Vespertina.
4. Exéquias – Os enterros devem-se fazer sem Missa e sem solenidades, por exemplo, o toque de sinos.

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Preparando a Semana Santa: Quinta-feira Santa
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1. A celebração eucarística na Ceia do Senhor inaugura o Tríduo pascal que terminará com as II Vésperas do Domingo de Páscoa. Estes três dias são o coração do ano litúrgico e de todo o mistério cristão. Não só nos recordam o que o amor de Deus realizou por nós, mas também significam e comunicam a graça do mistério neles celebrado.
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SUGESTÕES PARA A CELEBRAÇÃO E A VIVÊNCIA DA LITURGIA
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a) Inicia-se o tríduo sagrado, chamado também de o "Tríduo do crucificado, do sepultado e do ressuscitado".
b) Cruz processional, velas, turíbulo fumegando.
c) Matracas.
d) Pode-se entrar na procissão de entrada os santos óleos que foram abençoados pela manhã na Catedral pelo Bispo. Prepara-se no presbitério uma mesa para colocá-los. Para serem levados ao presbitério os santos óleos, poderiam três jovens vestir túnicas das respectivas cores dos óleos: ROXO (óleo dos enfermos); ROSA (óleo do Crisma); BRANCO (óleo do batismo).
e) Pode ser decorado perto do altar e nunca em cima do mesmo, com pão, uva, vinho.
f) Antes da celebração, o sacrário deve estar vazio. As hóstias para a comunhão dos fiéis devem ser consagradas na mesma celebração da missa de maneira suficiente para o dia seguinte também (Sexta-feira santa).
g) Reserve-se uma Capela para conservação do Santíssimo Sacramento e seja ela ornada de modo conveniente, para que possa facilitar a oração e meditação: recomenda-se o respeito.
Daquela solenidade que convém à liturgia destes dias, evitando ou renovando qualquer abuso contrário.
h) Durante o canto do hino do "Glória" tocam-se os sinos (da torre e do altar). Concluído o canto eles ficarão silenciosos até o "Glória" da Vigília Pascal.
i) O órgão ou outros instrumentos a partir do canto do "Glória", só serão utilizados para sustentar o canto. De maneira que não se use nem bateria e nem pandeiros...
j) Seja conservada para o lava-pés a escolha de alguns homens, e como sugestão podendo ser 12 que significa os 12 apóstolos. Neste momento o celebrante retira a casula e cinge-se com uma toalha grande que possa ser amarrada à cintura e ao mesmo tempo enxugar os pés dos discípulos, a casula ficará aberta sobre o altar. Após terminar o lava-pés e ter lavado as mãos vestirá novamente a casula. Pode ser dado para os homens um pão.
k) Na procissão do ofertório tendo sido feita uma conscientização na comunidade, a comunidade pode fazer doação de alimentos não perecíveis para os menos favorecidos, como nos sugere o Missal Romano.
l) Na consagração, não se toca a campainha e sim as matracas.
m) Após a oração da comunhão, forme-se o cortejo, passando por toda a Igreja, que acompanha o Santíssimo Sacramento ao lugar da reposição. A procissão é precedida pelo cruciferário, as velas, o turíbulo fumegando e as matracas.
n) Usa-se a Umbela para cobrir o Santíssimo.
o) Nunca se pode fazer a exposição com o ostensório. (A reserva Eucarística deverá ficar dentro do sacrário).
p) Na adoração até a meia-noite, pode ser lida uma parte do evangelho segundo João Capítulos 13-17. Após a meia noite, esta adoração seja feita sem solenidade já que começou o dia da paixão do Senhor. Recomenda-se o silêncio.
q) A capela do Santíssimo pode ser ornada com flores, com todo esplendor.
r) O sacerdote deveria usar pluvial e véu umeral festivo na transladação do Santíssimo Sacramento em direção ao altar da reposição. Na falta do Pluvial use pelo menos o véu umeral sobre a túnica ou alva com estola.
s) Concluída a missa é desnudado o altar da celebração. Convém cobrir as cruzes da Igreja com um véu de cor vermelha ou roxa.
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Para a missa deve-se preparar:
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a) Âmbulas com partículas para consagrar para essa missa e para a Sexta-feira;
b) Véu de ombros;
c) Turíbulo com naveta;
d) Tochas e velas;
Para o lava pés:
a) Assentos para os homens designados;
b) Jarro de água e bacia;
c) Toalha para enxugar os pés;
d) Sabonete (para o sacerdote lavar as mãos)
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2. Momentos fortes:
São momentos altos deste memorial: a escuta da Palavra, o lava-pés, a oferenda do pão e do vinho acompanhados pelas ofertas para os pobres recolhidas durante a Quaresma, a oração eucarística (com comemorações próprias deste dia), a fração do Pão, a participação no Corpo e Sangue do Senhor consagrados na própria ação litúrgica (é "proibido" o recurso à reserva eventualmente conservada no Sacrário o qual, segundo a vontade da Igreja, deveria estar vazio no começo da celebração).
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3. Bênção dos Santos Óleos
Na Quinta-feira Santa, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação.
Sempre que houver celebração com óleo, deve estar à disposição do ministro uma jarra com água, bacia, sabonete e toalha para as mãos.
Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos.
Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia.
O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:
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Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Confirmação
(Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
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Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.
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Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.
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3. Ceia do Senhor (Lava-pés)
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3.a - Um momento solene
No 13º capítulo do seu Evangelho, João fala sobre Jesus fraco, pequeno, que terminará sendo condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora da lei ou um criminoso. Até então, Jesus parecia tão forte, havia feito tantos milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado com autoridade para os escribas e os fariseus.
Ele parecia ser um grande profeta, quem sabe até o Messias. O Deus do poder estava com Ele. Mais e mais pessoas estavam começando a segui-lo, esperavam que Ele os libertasse dos romanos, resgatando assim, a dignidade do povo escolhido. O tempo da páscoa estava próximo. A multidão e os amigos dele pensavam: "Será que Ele vai se revelar na páscoa? Então, todos acreditarão nele." Todos esperavam que algo extraordinário acontecesse. No entanto, em vez de fazer algo fantástico, Jesus tomou o caminho oposto, o da fraqueza, o da humilhação, deixando que os outros o vencessem. Este processo de humilhação teve início quando o Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria, e continuou visível para os discípulos no lava-pés. Terminará com a agonia, paixão, crucifixão e morte.
O começo deste capítulo é muito solene: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado à hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demônio posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de entregá-lo, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e apegando uma toalha cingiu-se com ela." (Jo 13,1-4).
Estas palavras são muito fortes: "Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto..." Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a lavar-lhes os pés, em uma atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão. De joelhos ninguém pode se mover com facilidade nem se defender.
João Batista havia dito que ele não era digno nem de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1,7). No entanto, Jesus se ajoelha em frente a cada um de seus discípulos.
Os primeiros cristãos devem ter cantado o mistério de Jesus, que se desfez da sua glória e se fez fraco, como encontramos nas palavras de S. Paulo aos Filipenses: "O qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem". Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,6-8)
Nós estamos frente a um Deus que se torna pequeno e pobre que desce na escala da promoção humana, que escolhe o último, que assume o lugar de servo ou escravo. De acordo com a tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai.
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4. Desnudação do Altar

A desnudação do altar hoje, é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus.
A desnudação do altar (denudatio altaris), ou despojamento, como preferem alguns, é um rito antigo, já mencionado por Santo Isidoro no século VII, que fala da desnudação como um gesto que acontecia na quinta-feira santa.
O sacerdote, ajudado por dois ministros, remove as toalhas e os demais ornamentos e enfeites dos altares que ficam assim desnudados até a Vigília Pascal. No antigo rito, durante a desnudação recitava-se um trecho de um salmo. O gesto da desnudação do altar tinha o significado alegórico da nudez com a qual Cristo foi crucificado.
O rito atual é realizado de modo muito simples, após a missa. Feito em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes da igreja.
Caso isso não seja possível, orienta o Missal que convém velar as cruzes e as imagens que não possam ser retiradas. (Cf. Missal Romano, p. 253, n. 19).
O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.
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Instituição da Eucaristia

Na véspera da festa da Páscoa, como Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 12, 1).
Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade iam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando antecipadamente a manhã da Ressurreição.
Jesus ficou na Eucaristia por amor..., por ti.
Comecemos desde já a pedir ao Espírito Santo que nos prepare para podermos entender cada expressão e cada gesto de Jesus Cristo: porque queremos viver vida sobrenatural, porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se dar a cada um de nós em alimento da alma, e porque reconhecemos que só Ele tem palavras de vida eterna.
A fé leva-nos a confessar com Simão Pedro: Nós acreditamos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus. E é essa mesma fé, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos transcendentes nos incita a imitar a audácia de João, a aproximar-nos de Jesus e a reclinar a cabeça no peito do Mestre, que amava ardentemente os seus e, como acabamos de ouvir, iria amá-los até o fim.
Tenhamos em mente a experiência tão humana da despedida de duas pessoas que se amam. Desejariam permanecer sempre juntas, mas o dever - seja ele qual for - obriga?As a afastar?Se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem, como gostariam. Nessas situações, o amor humano, que, por maior que seja, é sempre limitado, recorre a um símbolo: as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, possivelmente uma fotografia, com uma dedicatória tão ardente que é de admirar que o papel não se queime. Mas não conseguem muito mais, pois o poder das criaturas não vai tão longe quanto o seu querer.
Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não nos deixa um símbolo, mas a própria realidade: fica Ele mesmo. Irá para o Pai, mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um simples presente que nos lembre a sua memória, uma imagem que se dilua com o tempo, como a fotografia que em breve se esvai, amarelece e perde sentido para os que não tenham sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente presente com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade.
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5. Transladação do Santíssimo

A transladação do Santíssimo tem notícias históricas desde o século II. Mas o rito da adoração, na quinta-feira santa entrou na Igreja a partir do século XIII e foi difundindo-se até o século XV.
O que mais impulsionou foi a devoção ao Santíssimo Sacramento, a partir da segunda metade do século XIII, época em que o Papa Urbano IV decretou a festa de Corpus Christi para toda a Igreja (em 11 de agosto de 1264).
Foi, portanto, a prática devocional da eucaristia a principal responsável para a adoração ao Santíssimo na quinta-feira santa, após a missa da Ceia do Senhor.
O rito atual é muito simples e tem o seguinte significado: após a oração depois da comunhão, o Santíssimo é transladado solenemente em procissão para uma capela lateral ou para um dos altares laterais da igreja, devidamente preparado para receber o santíssimo.
Antes da transladação, o sacerdote prepara o turíbulo e incensa o Santíssimo três vezes. Depois, realiza-se uma pequena procissão dentro da igreja, que é precedida pelo cruciferário (pessoa que leva a cruz processional), velas e incenso.
Durante a procissão, canta-se o "Pange Lingua", traduzido em português, "Vamos todos...", exceto as duas últimas estrofes, "tantum ergo" (tão sublime sacramento...) que são cantadas depois da chegada da procissão na capela lateral, onde ficará o Santíssimo.
Após a transladação, a comunidade é convidada a permanecer em adoração solene até um horário conveniente. O significado é de ação de graças pela eucaristia e pela salvação que celebramos nestes dias do Tríduo Pascal.
Fonte: Revista Missões
Pastoral da Comunicação
pascom@paroquiasantoafonso.or.br

FONTE: http://www.idbrasil.org.br/


21 DE ABRIL ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA

"Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".

Juscelino Kubistchek

Brasília, a capital do Brasil, inaugurada em 21 de abril de 1960, continua sendo uma das mais belas e a mais moderna cidade do país. Mas a sua história começa há mais tempo do que a maioria das pessoas imaginam.

O Começo do Sonho

Desde a época do Brasil Colônia, já se pensava em construir uma nova capital.
O Brasil tinha um imenso território e, além das escaramuças de piratas e contrabando de pau-brasil, muitas nações européias foram tornando constantes os seus ataques à costa brasileira, desafiando a Coroa Portuguesa.

De nada valeram os esforços de D. João III em tentar criar um sistema de policiamento da costa do Brasil. Os ataques estrangeiros foram ficando cada vez mais frequentes e revelavam a intenção de algumas nações em ocupar partes do território brasileiro.

Basta lembrar que Salvador, a primeira capital do Brasil, sofreu diversos ataques de piratas ingleses e foi tomada pelos holandeses liderados pelo almirante Willenkens.

Os invasores só foram expulsos da capital brasileira um ano depois.
Aos poucos, alguns brasileiros começaram a perceber que o Brasil estava de costas para o Brasil. Era um povo agrupado no litoral, lançando um olhar nostálgico para o continente europeu.

Surgiriam, então, as primeiras vozes a defender a interiorização do país. Uma nova capital, no interior do Brasil, teria muito mais segurança longe do litoral e dos ataques de canhões das naus inimigas,.

Essa idéia foi defendida pelo Marquês de Pombal, em 1761. A Inconfidência Mineira, em 1789, já demonstrava a insatisfação dos brasileiros com a Coroa portuguesa e um anseio latente por um processo de interiorização do Brasil.

Entre os planos dos inconfidentes estava a transferência da capital do Rio de Janeiro para São João Del Rei. Em 1808, o jornalista Hipólito José da Costa defendia a independência política do Brasil e fundou no exílio, em Londres, o jornal "Correio Braziliense".

Hipólito José da Costa pregava a mudança da capital para o interior do país, que ele chamava de "paraíso terreal".
A Independência do Brasil, em 1822, trouxe mais ânimo para os defensores da interiorização.

Na Assembléia Constituinte de 1823, José Bonifácio defendeu a construção de uma nova capital que, segundo ele, seria uma grande chance de estimular a economia e o comércio. Essa foi a tese que José Bonifácio apresentou no documento que se intitulou "Memória sobre a necessidade e meios de edificar no interior do Brasil uma nova capital".

José Bonifácio chegou a sugerir dois nomes para a nova cidade, que ele imaginou no Planalto Central: Petrópolis e Brasília.

O diplomata e historiador Francisco Adolfo de Varnhagem, Visconde de Porto Seguro, também foi outro importante defensor da mudança da capital. Ele chegou a realizar estudos e também concluiu que a região do Planalto Central seria o local ideal para a nova capital.

Em 1891, na elaboração da primeira constituição republicana, a transferência da capital voltou a ser discutida. Foi aprovada a emenda do deputado catarinense Lauro Müller, que estabeleceu a demarcação de uma área no Planalto Central de 14 mil quilômetros para a construção da nova capital da República.

Aquele foi o primeiro passo constitucional para a mudança. Mas, se você acompanhar os próximos capítulos, verá que houve uma longa jornada, cheia de acidentes políticos, que percorreram a Primeira e a Segunda República.

A Assembléia Constituinte de 1891 aprovou a emenda do deputado Lauro Müller, que propunha a mudança da capital para o interior do país. Coube então ao novo governo republicano organizar uma missão de reconhecimento e demarcação da área do futuro Distrito Federal.

O diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, Luís Cruls, foi encarregado de chefiar a missão.

Primeiras Concretizações

Em 9 de Junho de 1892, os vinte e dois membros da missão Cruls partiram de trem, com destino a Uberaba, Minas Gerais. Eles levavam quase dez toneladas de equipamentos, como lunetas, teodolitos, sextantes, barômetros e material fotográfico para demarcar a área da futura capital no Planalto Central.

A partir de Uberaba, a expedição seguiu em cavalos e mulas, passando por Catalão, Pirenopólis e Formosa. A missão formada por biólogos, botânicos, astrônomos, geólogos, médicos e militares percorreu mais de quatro mil quilômetros.

Foram sete meses de muitas caminhadas e trilhas percorridas a pé ou em mulas, descobrindo a imensidão do Planalto Central do país.

Através dos relatórios da Missão Cruls, o Brasil pôde, pela primeira vez, conhecer em detalhes o clima, o solo, os recursos hídricos, minerais, a topografia, a fauna e a flora do Planalto Central. Cruls destacou a qualidade do solo pesquisado, suas possibilidades para a agricultura e fruticultura e também o clima da região.

"É inegável que até hoje o desenvolvimento do Brasil tem-se sobretudo localizado na estreita zona de seu extenso litoral, salvo, porém, em alguns dos seus Estados do sul, e que uma área imensa de seu território pouco ou nada tem se beneficiado com este desenvolvimento. Existe no interior do Brasil uma zona gozando de excelente clima com riquezas naturais, que só pedem braços para serem exploradas."

O Arquivo Público do Distrito Federal mantém os documentos originais da expedição. É emocionante verificar os diários, as anotações e dados científicos misturados a pequenos bilhetes de amor dos integrantes da missão endereçados às suas esposas e namoradas.

O Presidente Epitácio Pessoa, amparado na constituição de 1891, lança a pedra fundamental da nova capital do Brasil, no Morro do Centenário, em Planaltina, no estado de Goiás.

O Presidente atendia ao pedido de alguns deputados, entre eles um de nome bastante curioso: Americano Brazil, que disse: "a pedra fundamental, em Planaltina, é um alento para a fibra adormecida do ideal nacional." Americano Brazil seguiu sua cruzada, discursando no Congresso Nacional em defesa da mudança da capital. Ele até lançou um título para a dura caminhada "rumo ao Planalto." Mas nada aconteceu durante um longo tempo.
Era Juscelino

No dia 2 de outubro de 1956, pousou numa pista improvisada, no Planalto Central, um avião da FAB trazendo o Presidente Juscelino Kubitscheck. Na comitiva presidencial estavam o Ministro da Guerra, General Lott, o Governador da Bahia, Antonio Balbino, o Ministro da Viação, Almirante Lúcio Meira, o arquiteto Oscar Niemeyer, a diretoria da Novacap e ajudantes do presidente.

Eles foram recepcionados pelo Governador de Goiás, Juca Ludovico e por Bernardo Sayão. O avião aterrisou às 11:45h, numa manhã de outubro.

Olhando as fotografias daquele ensolarado dia, dá para imaginar o desafio que se apresentava aos olhos do Presidente: o vasto e imenso horizonte de um cerrado virgem, longe de tudo e de todos, sem estradas, sem energia ou sistemas de comunicação.

Juscelino, em seu livro "Por que construí Brasília", conta que "de todos os presentes, o General Lott era o que se mostrava mais desconcertado.

Distanciado-se dos presentes, deixou-se ficar à beira da pista. O presidente lembra em sua obra: " Ao me aproximar dele, não se conteve e perguntou: O senhor vai mesmo construir Brasília, Presidente ?"

Juscelino escreveu no livro de ouro de Brasília: "Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".

A primeira visita do Presidente Juscelino Kubitschek ao Sítio Castanho, escolhido para sediar a futura Capital, não foi apenas simbólica. Na ocasião, foram determinados o local para construção do aeroporto de Brasília, a restauração e melhoria das estradas para Goiânia e Anápolis, a construção das estradas entre os canteiros de obras, dos prédios provisórios para os operários e a elaboração do projeto do Palácio da Alvorada.

Mas, antes da conclusão do projeto do Alvorada, um grupo de amigos de Juscelino resolveu presentear o Presidente com uma residência provisória no Planalto.

Nascia, assim, o "Catetinho", primeiro prédio de Brasília, um palácio de tábuas projetado por Oscar Niemeyer.

O nome veio do diminutivo do palácio presidencial no Rio, Palácio do Catete. Niemeyer elaborou um projeto simples, apenas com o uso da madeira e que pudesse ser executado em dez dias. Apesar da simplicidade de seu projeto, o Catetinho traz os traços da arquitetura moderna brasileira.

É como se Niemeyer tivesse criado uma maquete de sua futura e imensa obra na Capital. O Catetinho é um símbolo dos pioneiros, um palácio de tábuas, mas que serviu como a primeira residência de Kubitschek e foi também a primeira sede do Governo na Capital. Foi construído próximo à sede da antiga Fazenda do Gama, onde Juscelino descansou e tomou o seu primeiro cafezinho no Planalto.

Houve quem acreditasse em Brasília e, tão logo a notícia se espalhou, surgiria na poeira do cerrado um herói anônimo: o candango. A expressão candango, que no ínicio teve um tom pejorativo, aos poucos, passou a ser a marca dos pioneiros que se engajaram na aventura de construir Brasília.

A nova capital abria a chance de uma vida melhor. Os candangos foram chegando e erguendo barracos e casas de madeira na cidade provisória. Em dezembro de 1956 eram apenas mil habitantes; em maio de 1958 já havia mais de trinta e cinco mil.

O movimento era frenético, jipes e tratores cortando o cerrado. Um trabalho duro, sem domingo nem feriado. Israel Pinheiro organizou suas equipes de trabalho com uma disciplina de guerra. Dia e noite, sol ou chuva, Brasília não parava.

No dia 19 de setembro de 1956, foi lançado o edital para o concurso do plano piloto, que estabelecia o prêmio de um milhão de cruzeiros para o autor do projeto vencedor.
A nova capital nascia sob o signo de uma grande aventura e havia a expectativa de se encontrar um projeto que imprimisse a contemporaneidade e a ousadia esperada de Brasília.

Sonho realizado

Cabe lembrar que a arquitetura moderna brasileira despontara a partir de 1927 com a construção da primeira casa modernista de Warchavchik, em São Paulo. Rino Levi, Lúcio Costa, Álvaro Vital Brazil, o polêmico Flávio de Carvalho e Oscar Niemeyer deram grande impulso à criação da arquitetura moderna no país.

Era grande a influência das idéias de arquitetos como Mies Van der Rohe, Frank Loyd Wright, Gropius e, sobretudo, o grande mestre Le Corbusier, que teve imensa importância na formação e avanço da moderna arquitetura no Brasil.

Até o dia 11 de março de 1957, a comissão julgadora do concurso tinha recebido 26 projetos, num total de 63 inscritos. Dentre os jurados estavam o arquiteto Oscar Niemeyer, um representante do Instituto de Arquitetos do Brasil, outro do Clube de Engenharia do Brasil, bem como o urbanista inglês William Holford, o francês André Sive e o americano Stamo Papadaki. Havia projetos ousados e até mesmo curiosos como o de M.M.M Roberto, que previa uma cidade construída em sete módulos circulares com 72.000 habitantes em cada módulo.

No projeto de Rino Levi, Cerqueira Cezar e Carvalho Franco, seriam construídos superblocos de 300 metros de altura, que abrigariam 288.000 pessoas.

O projeto escolhido foi o de Lúcio Costa, que nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar, promovendo o encontro de dois eixos. Um conceito simples e universal.

Lúcio Costa foi o vencedor, não pelo seu detalhamento, que era pobre perto de outros concorrentes, que apresentaram maquetes, croquis e estatistícas, mas pela concepção urbanística e pela fantástica descrição de seu estudo. Não deixa de ser curioso que num concurso urbanístico, as palavras tenham vencido o detalhamento técnico.

Mas Lúcio Costa tratava as palavras com a precisão de um poeta, era a obra de um ser livre que se permitiu sonhar. O próprio Lúcio Costa destaca, entre os "ingredientes" da concepção urbanística de Brasília, as lembranças dos gramados ingleses de sua infância, das auto-estradas americanas, dos altiplanos da China e da brasileríssima Diamantina.

Lúcio Costa planejou uma Brasília moderna, voltada para o futuro, mas ao mesmo tempo "bucólica e urbana, lírica e funcional".

Ele eliminou cruzamentos para que o tráfego dos automóveis fluísse mais livremente, concebeu os prédios residenciais com gabarito uniforme e construídos sobre pilotis para não impedir a circulação de pessoas.

Uma cidade rodoviária com amplas avenidas e vasto horizonte, valorizando o paisagismo e os jardins. O plano de Lúcio Costa foi, contudo, vago no que se referia à expansão imobiliária e à criação de bairros operários.

Ele diz na memória descritiva do Plano Piloto: deve-se impedir a enquistação de favelas tanto na periferia urbana quanto na rural. Cabe à Companhia Urbanizadora prover, dentro do esquema proposto, acomodações decentes e econômicas para a totalidade da população.

Não foi preciso que muitos anos se passassem para que surgissem problemas ligados à habitação popular que, durante a própria construção da capital foram chamados de invasões e se multiplicaram.

Todos os dias, novos barracos eram erguidos na chamada Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, e também próximos aos canteiros de obras. Os operários, que trabalhavam na construção da cidade, não pretendiam abandonar a Capital depois de sua inauguração.

As cidades satélites não surgiram como fruto de um plano detalhado, conforme o que regia a

c
onstrução do Plano Piloto, mas pela urgência imposta pelas invasões. Em junho de 1958, nascia a primeira cidade satélite, propriamente dita: Taguatinga, construída às pressas para abrigar 50.000 pessoas, em sua maioria operários com suas famílias.

As Satélites, aos poucos, se transformariam em importantes centros econômicos. Depois de Taguatinga, Israel Pinheiro iniciou a construção de outras Satélites: Sobradinho, Paranoá e Gama.

Durante três anos, Brasília viveu um ritmo de trabalho alucinante. O Presidente Juscelino Kubitscheck vistoriava as obras pessoalmente com Israel Pinheiro.

Os partidos de oposição alegavam que Brasília não ficaria pronta no prazo e insistiam para que adiassem a transferência da Capital.

Brasília, vencendo os prognósticos pessimistas da oposição, foi inaugurada em 21 de abril de 1960, com toda pompa que a capital merecia .

Hoje, Brasília é uma bela cidade como no sonho de um homem que um dia vislumbrou o futuro de olhos bem abertos.

Webdesigner: Lika Dutra
Pesquisa: vários sites

fonte: http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diabrasilia.html



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