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sábado, 17 de setembro de 2016

Atletas paralímpicos rejeitam rótulo de super-humanos e de exemplos de superação

Por Agência Brasil
Marcelo Brandão - Enviado Especial da Agência Brasil*


Desde o início da Paralimpíada, dezenas de recordes foram quebrados e o público pôde ver performances incríveis em quadras, pistas e piscinas. Ainda na cerimônia de abertura dos Jogos, no dia 7, o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, fez um discurso em exaltação aos atletas. Empolgado, Nuzman utilizou os adjetivos “super-humanos” e “heróis” referindo-se àqueles que competiriam a partir do dia seguinte. Ainda que bem-intencionado, o elogio de Nuzman não encontra respaldo nos próprios atletas, que rejeitam rótulos e querem ser vistos como esportistas de alto rendimento.

Os atletas do paradesporto têm uma rotina puxada, com horas diárias de treinos, musculação e fisioterapia, e buscam sempre o limite da sua performance. Essa performance foi vista no Rio nos últimos dias, com várias quebras de recordes mundiais e paralímpicos na natação e no atletismo, por exemplo. Durante toda a Paralimpíada, que chegou à reta final, esse desempenho foi traduzido por parte da mídia e da sociedade como um exemplo de superação de pessoas que vencem diariamente os obstáculos da deficiência física ou mental.

“Nossas dificuldades a gente já superou no passado. Hoje, estamos acostumados com a nossa lesão, adaptados. Nós somos atletas de alto rendimento”, diz Guilherme Camargo, atleta da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas.

Guilherme Camargo, da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas
“A gente quer que o esporte paralímpico seja visto como esporte de alto rendimento", diz Guilherme CamargoDivulgação/Ministério do Esporte
Guilherme sofreu um acidente de carro em 2007 e ficou tetraplégico. Mas isso não é mais um obstáculo para ele. O desafio de agora é vencer as grandes seleções do mundo na modalidade, como da Austrália, Canadá e Estados Unidos. “A gente quer que o esporte paralímpico seja visto como esporte de alto rendimento, é o que a gente mais deseja. A gente trabalha para isso, treina tanto quanto os atletas olímpicos”, diz.

André Brasil, um dos grandes nomes da natação brasileira, acredita que a realização dos Jogos Paralímpicos no Brasil seja um momento de oportunidade para mostrar que os competidores de paralimpíadas e olimpíadas são atletas e querem ser vistos como tal. “Muitas vezes a gente costuma dizer que somos atletas, que nossa vida não é diferente da vida de nenhum outro atleta, seja ele de qualquer modalidade esportiva”, destaca o nadador.

“Qual é a diferença que as pessoas colocam e o medo de se falar sobre a pessoa com deficiência ou o deficiente? É um momento especial que a gente vive no nosso país, de transformação cultural, um momento no qual as pessoas querem entender mais sobre qualquer modalidade adaptada. É a hora que a gente tem para quebrar um pouco disso”, completa André. Na opinião dele, é o momento de mudar a forma como as pessoas encaram as pessoas com deficiência.
Rio de Janeiro - Brasileiro André Brasil conquista bronze nos 100m borboleta S10 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, no Estádio Aquático. (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Para André Brasil, é o momento de mudar a forma como as pessoas encaram as pessoas com deficiênciaFernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil
“O esporte é saúde, mas o quão bacana seria promover saúde e educação para uma criança, seja ela com ou sem deficiência, e gerar oportunidade? Vamos fugir um pouco dessas terminologias do politicamente correto, do que é certo, do que é errado. Vamos realmente acreditar no que pode ser feito. A gente tem um país grandioso, temos muita coisa a ser feita. Precisamos fazê-las, mais nada”, afirma o nadador.

"Todos somos super”

Rodrigo Massarutt se tornou um atleta paralímpico de esgrima após sofrer um acidente de trânsito que o deixou paraplégico em 2005. Mas a lesão, na opinião dele, não o torna mais especial ou um exemplo diante das outras pessoas. “Eu nem sei como lidar com isso. Eu nunca esperei ser chamado de super-humano. A gente se considera igual a todo mundo. Só que temos a nossa limitação. O meu acidente foi de moto, fui parar numa cadeira de rodas. No começo eu achava que não tinha sentido a minha vida. Mas você vai vendo que o ser humano é adaptável a tudo”, conta Rodrigo.

Para o esgrimista, o problema dele não é mais grave do que os de outras pessoas. Ele se vê como uma pessoa como qualquer outra, com obstáculos a superar. “Só que vivo em cima de uma cadeira de rodas. Eu sou igual a todo mundo. Acho que todas as pessoas são super-humanas. Não considero que só eu seja. Acho que todo mundo tem dificuldade, acho que todos são super-humanos.”

*Colaborou Patrícia Serrão, do Portal EBC

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