Literatura Cearense - Fran Martins -
Belo conto extraído do livro - Noite Feliz, do excelente escritor cearense, Fran Martins
ALMIR
Um dia destes eu ia andando pelas ruas quando, ao dobrar a esquina, senti alguém segurar-me pelo braço:
– Não me conhece mais não? Não se lembra de mim? Eu sou o Almir – se lembra? Almir, aquele da Pedra Lavrada...
Lembrei-me, sim, de Almir – e imediatamente olhei para a sua mão esquerda. Sim, era ele mesmo, lá estava a mão esquerda sem o dedo mínimo, a mão que servia de atestado que ele fora, nos bons tempos, um dos meus maiores amigos – ele e mais o Clóvis, o Carrinho, o Janjoca, o Pedro, o Felinto. Éramos todos moradores da Pedra Lavrada, uma das ruas mais importantes do mundo, situada já quase nos subúrbios da importante cidade do Crato. E juntos dominávamos a rua, fazendo mil diabruras, metendo-nos em aventuras incríveis, com essa sobranceria de verdadeiros senhores que desafiam céus e terra não tanto para glória individual como para maior renome do seu reino.
ALMIR
Um dia destes eu ia andando pelas ruas quando, ao dobrar a esquina, senti alguém segurar-me pelo braço:
– Não me conhece mais não? Não se lembra de mim? Eu sou o Almir – se lembra? Almir, aquele da Pedra Lavrada...
Lembrei-me, sim, de Almir – e imediatamente olhei para a sua mão esquerda. Sim, era ele mesmo, lá estava a mão esquerda sem o dedo mínimo, a mão que servia de atestado que ele fora, nos bons tempos, um dos meus maiores amigos – ele e mais o Clóvis, o Carrinho, o Janjoca, o Pedro, o Felinto. Éramos todos moradores da Pedra Lavrada, uma das ruas mais importantes do mundo, situada já quase nos subúrbios da importante cidade do Crato. E juntos dominávamos a rua, fazendo mil diabruras, metendo-nos em aventuras incríveis, com essa sobranceria de verdadeiros senhores que desafiam céus e terra não tanto para glória individual como para maior renome do seu reino.