COLUNA
Teenage
29.03.2014
Malhação na medida certa
Na busca pelo corpo ideal, das “capas de revistas”, os adolescentes precisam tomar cuidado para não fazer dietas malucas nem atividade física sem orientação adequada
Seja para ganhar massa muscular, emagrecer, combater a ansiedade ou aumentar a qualidade de vida, a opção por uma atividade física tem relação com a autoestima. Mas, especialmente na juventude, são essenciais os cuidados para que a prática signifique saúde.
Na busca pelo corpo ideal, os jovens muitas vezes erram ao fazer dietas radicais e a buscar treino em academias focando mudanças em curto espaço de tempo. Segundo o profissional de Educação Física, Mychael de Abreu, a conscientização para uma reeducação alimentar e para que os resultados da malhação sejam construídos de modo saudável fazem parte do seu trabalho. Mas, nem sempre a garotada compreende.
“Acompanhamos os alunos, mas não temos força para impedir que ajam errado quando não estamos por perto. Infelizmente ainda tem garoto que usa anabolizantes e muita menina que teima em comer errado - às vezes vir malhar sem se alimentar!”, analisa.
O ortopedista e traumatologista Tiago de Morais Gomes alerta para atividades em excesso ou realizadas sem orientação de profissionais especializados. “Os ossos são mais fortes nos adultos que, durante a infância e a adolescência, tiveram alimentação balanceada e fizeram exercícios físicos regulares, com suporte de peso adequado à faixa etária e constituição física individual. No entanto, tudo praticado em excesso vira veneno”, explica.
A personal trainer Nayana Montenegro, 27, alerta também para o uso de termogênicos, que podem causar taquicardia, insônia, dentre outros males. “Tenho visto adolescentes correndo riscos desnecessários em busca de um físico perfeito. Com o boom das redes sociais e pessoas postando fotos na academia, do corpo sarado, os jovens acabam pensando ‘Se é bom pra ele, é bom pra mim’. Tomam por conta própria o mesmo suplemento que o ‘muso’ faz uso. Sem saber de seus benefícios e malefícios. E várias vezes essas informações vêm de pessoas sem formação específica na área (Nutrição ou Educação Física). O ‘seguidor’ deve entender que se inspirar em alguém não significa copiá-lo. Deve-se respeitar e avaliar as diferenças genéticas, idade e condicionamento físico. Sejamos saudáveis de ‘dentro para fora’”, alerta.
Os estudantes Lucas Mota, 19, e João Vitor Rabelo, 16, malham na Moviment Academia e sabem da importância de respeitar os limites do corpo. O primeiro já conseguiu bons resultados por meio da musculação, de forma saudável. O segundo começou a treinar rumo a isso. “Não queria continuar sedentário e, por ser muito magro, também quero ganhar massa muscular. Mas tudo respeitando os treinos. Nunca passou pela minha cabeça tomar anabolizante”, declara João Vitor.
Rayany de Oliveira, 20, compartilha a opinião dos colegas de academia. E conta a sua história de superação. “Malho desde os 15. Nesse tempo, emagreci 30 quilos e incentivei amigas a entrarem na onda da vida saudável”.
A estudante do 3º ano do Ensino Médio, Marilya Ellery, 16, fez uma cirurgia na coluna devido à escoliose e, por isso, fala que os cuidados na hora de malhar são redobrados. Aluna da Mega Gym, tem dias que faz musculação; outros ginástica funcional, “sempre respeitando o corpo”. A garota também dá o recado para quem foge dos exercícios. “No começo, foi muito difícil me adaptar ao ritmo do 3º ano. Tive que abandonar minhas ‘dormidinhas’ à tarde e evitar as saídas nos fins de semana. Mudei o horário da academia, meu jeito de estudar e, no final do dia, mesmo que vá dormir super cansada, tenho a sensação de dever cumprido”.