RELIGIÃO
08h25 | 28.03.2015
O religioso cearense passa pela primeira fase de sua beatificação no Vaticano
A beatificação docearense Dom Hélder Camara recebeu o primeiro parecer favorável da Cúria Romana. No ano passado, o arcebispo dom Fernando Saburido entrou com uma solicitação pela beatificação do religioso e uma carta do Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos já foi expedida informando que não há anda que impeça a abertura do processo.
O próximo passo é a autorização dos trâmites em nível diocesano. Com o aval do Vaticano, dom Helder será nomeado Venerável Servo do Senhor. Depois, uma comissão jurídica vai avaliar as virtudes heróicas do arcebispo através de análise de testemunhas que o conheceram e de estudo de textos publicados em vida por ele. Para ser considerado santo, é preciso primeiro que seja nomeado beato e que se comprove um milagre para, em seguida, acontecer a canonização.]
Dom da Paz
Helder Pessoa Camara nasceu em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, em uma família com 13 filhos. Entrou muito novo no seminário e já aos 22 anos se tornou padre. Entre 1932 e 1937, teve uma atuação marcada pela militância junto a intituições políticas conservadoras, como a Ação Integralista Brasileira. Depois, considerou suas participação um erro de juventude. Quando morou no Rio de Janeiro, desenvolveu um trabalho assitencialista aos mais necessitados.
Em 12 de março de 1964, foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife, pouco antes do golpe militar. Dias depois, divulgou um manifesto apoiando a ação católica operária em Recife. O novo governo militar acusou-o de demagogo e comunista e dom Hélder foi proibido de se manifestar publicamente.
No entanto, sua figura pública adquiria importância cada vez maior. Passou a fazer conferências e pregações no exterior, desenvolvendo intensa atividade contra a exploração e a favor dos mais pobres. Em 1970, fez um pronunciamento em Paris denunciando pela primeira vez a prática de tortura a presos políticos no Brasil.
Em 1972 foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz. Dom Hélder aposentou-se em 1985, tendo organizado mais de 500 comunidades eclesiais de base. No final da década de 1990, lançou a campanha "Ano 2000 Sem Miséria".
Tem 23 livros publicados, sendo 19 deles traduzidos para 16 idiomas. Tem 716 títulos de homenagem e condecorações;
membro de 41 organizações internacionais e 5 nacionais.
Faleceu, aos 90 anos, de parada cardíaca em 1999, em sua casa em Recife.
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