Com a maioridade, os jovens abrigados buscam alternativas para viver por conta própria; conheça algumas histórias
Thamires Santos e Leonardo Gusmão ()
Thamires Santos e Leonardo Gusmão ()
Quem passava todas as manhãs pela Praça da Sé e via aquela jovem com o corpo completamente pintado de prata não imaginava quantas histórias estavam por trás daquela estátua humana. Fruto de um de amor nada convencional - seus pais se conheceram enquanto estavam internados em um hospital psiquiátrico em Feira de Santana - a estudante Adriana Nunes Quintiliano, 25, morou durante 18 anos no abrigo Lar da Criança, no bairro da Vila Laura, em Salvador.
Como perdeu os laços com os pais, Adriana divide a experiência da espera com as 56 crianças e adolescentes em Salvador que, embora ainda estejam disponíveis no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), provavelmente não serão adotadas. Segundo o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, Walter Costa Júnior, elas têm entre 5 a 17 anos e não se encaixam no perfil de quem adota. “Geralmente preferem meninas brancas ou pardas, recém-nascidas ou no máximo com 2 anos”, afirma.
Adriana Quintiliano, 25 anos, no Lar da Criança, onde viveu até os 18; após trabalhar como estátua humana no Pelô, hoje atua em um site de entretenimento e sonha em cursar design (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)
|
Adriana foi mais uma jovem negra integrante desse quadro. Ela chegou ao Lar da Criança recém-nascida. Como toda criança, jogava futebol e empinava arraia. Mas com o início da adolescência, começou a enxergar o outro lado da vida no abrigo. “Ficava preocupada quando via que muitas crianças iam embora e eu nunca ia”, narra.