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O MENINO DO ROÇADOAldaléia Aquino
Era apenas um menininho,
de 5 anos de idade,
branquelo,
não sei se do "buchão",
ou mesmo raquítico,
miudinho,
lá das"brenhas",
matuto e "beradeiro".
Acho que ele
era buliçoso,
irrequieto
e muito curioso!
Talvez gostasse de,
já naquele tamanho,
observar as coisas da vida,
a Natureza,
o caminhar das formigas e dos calangos,
as coisas lá das brenhas,
onde morava,
no sertão do Ceará!
Aquele menininho,
o primogênito daquela família,
pequeno no tamanho,
porém grande nos pensamentos,
nos desejos,
nos sonhos,
aquela criança,
ia pro roçado com seu pai,
levando uma "cabaça d'água,
farinha e rapadura
para comerem depois da lida.
Era uma criança feliz,
esperta,
ativa!
E ele cresceu,
virou um homenzinho.
Já não queria mais o roçado.
Seu pai virou "bodegueiro" na pequena cidade de Parambu.
O menino criou asas
e buscou novos horizontes.
Foi estudar num colégio interno,
e depois em outros e outros.
E começou a trabalhar em algumas grandes empresas.
Aquele menino da cabaça d'água
cresceu muito,
fez Faculdade,
enfrentou desafios,
batalhou muito!
Tornou-se executivo de grande porte,
conquistou seus ideais!
E conheceu uma garota,
também de cidade do interior,
mas de S.Paulo,
com quem dividiu sua vida
e a quem entregou o seu coração.
Tiveram um único filho!
Esse filho,
diferente do pai,
nunca foi ao roçado,
não comeu rapadura com farinha,
e não teve cabaça d'água.
Ele tinha era garrafa térmica importada,
da Stanley.
Sim, coisa chic!
Aquele menininho de 5 anos de idade,
hoje com 78,
tem uma história linda de vida,
comovente,
rica,
um verdadeiro exemplo!
É meu amigo,
meu ex-colega de Banco,
e por quem tenho especial carinho.
Aquele menino,
lá das brenhas,
"matuto e beradeiro",
cresceu e brilhou
na cidade grande!
Para ele eu tiro o meu véu!
E que Deus o abençoe!
20.5.2026
6.40h
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