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Eleitorado nordestino deverá ser decisivo em eleição presidencial
31.08.2014
A região com 38,1 milhões de eleitores tornou-se um dos principais celeiros da disputa à Presidência
Em um País de extensão continental as desigualdades regionais são grandes, determinando o perfil do eleitor. No Nordeste brasileiro, a secura do solo se confunde com a aridez de vidas humanas, formando uma geografia peculiar com demandas diversas, que não podem ser ignoradas no jogo do poder. Compreendendo 26,7% do eleitorado nacional, a região é um celeiro de votos indispensável na campanha à Presidência.
Para arrematar votos, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) criaram uma agenda de campanha mais incisiva na Região. Mesmo com propostas equânimes, eles entendem que para se chegar ao Executivo são necessárias ações que coloquem o nordestino como protagonista.
Nas últimas três eleições presidenciais, os estados nordestinos têm se destacado como principal bastião do Partido dos Trabalhadores no País. Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito com 61,2% dos votos, sendo que, no percentual por região, ele garantiu no Nordeste uma votação superior à média nacional, com 61,5% dos eleitores. Este panorama seguiu-se nos pleitos posteriores, com a reeleição de Lula apoiada por 60,8% dos nordestinos, em 2006, e a presidente Dilma Rousseff atingindo uma marca de 70,5% da votação na Região, em 2010.
Segundo os especialistas, a boa avaliação do PT na Região, nos últimos 12 anos, se deve, sobretudo, à implementação de políticas de distribuição de renda e inclusão social, entre as quais está o Bolsa Família, que beneficiou milhares de nordestinos. Nos últimos 10 anos, as transferências do programa foram responsáveis pela criação e manutenção anual de 807 mil empregos e ocupações na Região Nordeste.
"No Brasil, cerca de 40% dos eleitores são de baixa renda, sendo que a maior parcela está no Nordeste. Nos últimos três governos, esta população foi bastante beneficiada. Isto tira a percepção de uma região que tinha o hábito do coronelismo e do voto do cabresto. O que se observa agora é um voto dessas classes C e D motivado por essas políticas sociais de inclusão", avaliou a cientista política e professora do Ibmec no Rio de Janeiro, Christiane Romeo.
O cientista político e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Clésio Arruda, afirma que o voto revela os interesses da população. Ele entende que, como ainda se observa uma má distribuição de renda, o peso das políticas sociais vai ser mais incisivo na definição do voto. "É de se esperar que um político que se apresente com essas ações vai ter mais aceitabilidade na região", observou.