Marcelo Brandão – Enviado especial da Agência Brasil
O juiz apita o final da primeira partida de futebol dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI) e Edilson, de apenas 15 anos, deixa o gramado lentamente. O menino da etnia Bororo Boe começou o dia vestindo uma camisa 10 qualquer, igual a de tantos que jogam em campos amadores Brasil afora, e saiu com um título só dele: autor do primeiro gol da primeira edição da competição.
“Me sinto alegre, emocionado por marcar o primeiro gol da história dos jogos mundiais. Viemos para tudo: pra competir e pra mostrar cultura, o que é o mais importante”. A timidez diante dos repórteres contrasta com a chuteira verde limão de marca famosa, igual a de profissionais, e com a determinação em campo, ao marcar dois gols na vitória por 7 a 2 contra os Assurini.
Palmas - Debaixo de sol forte, a plateia fez o que pôde para buscar sombra e acompanhar a primeira rodada de futebol dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O futebol abriu o primeiro dia de disputas esportivas dos JMPI. Quando faltava técnica, a disposição assumia o lugar debaixo de um forte sol, em Palmas, capital do Tocantins. Torcedores tentavam se abrigar na pouca sombra disponível e o calor foi responsável por uma dança de copos de água, passados de mão em mão, no banco de reservas.