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sexta-feira, 15 de março de 2019

Depósito de R$ 100 mil na conta de Ronnie Lessa foi feito por ele próprio no banco, diz polícia

Movimentação foi relatada pelo Coaf e usada no pedido de bloqueio de bens do acusado de matar Marielle e Anderson. Depoimento dele é esperado para esta sexta-feira.
Ronnie Lessa e Élcio Queiroz — Foto: Reprodução/TV Globo
A Polícia Civil já sabe que o depósito de R$ 100 mil na conta de Ronnie Lessa, preso acusado de ter matado Marielle Franco e Anderson Gomes, foi feito por ele mesmo num banco. Nesta sexta-feira (15), está previsto depoimento dele na Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, sobre o duplo homicídio.

A quantia foi identificada e está presente num relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf). O depósito foi feito no dia 9 de outubro de 2018 numa agência do Itaú, também na Barra, onde Lessa morava até a última terça-feira (12), quando foi preso na Operação Lume.

O Ministério Público citou o relatório em pedido de bloqueio dos bens de Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz, também preso. O MP pediu o bloqueio do valor para garantir a indenização por danos morais e materiais às famílias da vereadora e do motorista.

Além do relatório, o MP cita no pedido a lancha, apreendida em Angra dos Reis em nome de uma pessoa que seria "laranja" de Ronnie Lessa, os automóveis do PM reformado (um deles, um Infinity avaliado em R$ 150 mil), e a casa dele, num "condomínio luxuoso na Barra da Tijuca".

Tudo isso, segundo o Ministério Público, seria incompatível com a renda de um policial militar reformado.

O pedido de arresto foi aceito pelo juiz Gustavo Kalil, da 4ª Vara Criminal, na mesma decisão em que recebeu a denúncia do MP e decretou a prisão de Ronnie Lessa e Elcio Queiroz.

Advogado de Ronnie Lessa, Fernando Santana afirmou desconhecer esse depósito e disse que ainda vai conversar com seu cliente sobre o tema.

Depoimento

Lessa e Queiroz devem prestar depoimento nesta sexta-feira (15) sobre o atentado a Marielle e Anderson. Na quinta (14), ambos foram levados para audiência de custódia em Benfica por terem sido presos em flagrante, na terça-feira (12), por posse ilegal de arma.

Na casa de um amigo de Ronnie a polícia encontrou 117 fuzis incompletos desmontados. Já Queiroz foi preso com uma pistola, e Lessa tinha armas em casa.

Após o depoimento desta sexta, Lessa e Queiroz devem ser levados para Bangu 1, onde aguardarão transferência para um presídio federal, como determinado pela Justiça.
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quarta-feira, 13 de março de 2019

PM acusado de matar Marielle deixou rastros no histórico de buscas na internet

Polícia encontrou dados de suspeitos armazenados na nuvem
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A Divisão de Homicídios da Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam, na madrugada desta terça-feira, 12, um policial militar reformado e um ex-PM, ambos acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, cerca de um ano atrás. Um deles chegou a deixar rastros na internet.

Segundo as autoridades, o PM reformado Ronnie Lessa seria o autor dos 13 tiros que mataram Marielle e Anderson. De acordo com informações do Ministério Público divulgadas pelo G1, o crime foi planejado durante três meses, incluindo pesquisas salvas no seu histórico de buscas na web.

Lessa fez pesquisas na internet sobre os locais que Marielle frequentava e também sobre a submetralhadora MP5, que, segundo a investigação, pode ter sido usada no crime. Além disso, o PM reformado pesquisou informações sobre o então interventor na segurança pública do Rio, o general Braga Netto.

O suspeito também vinha fazendo buscas na internet pelo então deputado estadual e hoje deputado federal Marcelo Freixo, do mesmo partido de Marielle, o Psol. Em dezembro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um plano para matar o deputado.

Outras provas do envolvimento de Lessa no crime foram encontradas em arquivos que ele armazenava na nuvem. Ele utilizava um celular comprado com o CPF de outra pessoa, segundo as investigações. O suspeito trocava de celulares para despistar os registros de geolocalização armazenados por antenas de telefonia do Rio.

Na nuvem

Com falta de outras provas materiais, a Divisão de Homicídios rastreou todos os números de telefone que se conectaram a antenas de telefonia que ficavam nas áreas por onde o carro de Marielle passou na noite de 14 de março de 2018, desde a saída da Câmara Municipal até o local onde ela foi assassinada.

No meio desse caminho, uma câmera de segurança flagrou o momento exato em que uma tela de celular se acendeu dentro do carro que seguia Marielle desde a Rua dos Inválidos, no centro do Rio, e de onde, minutos depois, o assassino atiraria contra a vereadora. A partir daí, a polícia tinha o exato local e horário em que o telefone usado pelos assassinos se conectou a uma antena da região.

Com essa informação, os policiais fizeram uma triagem dos números de telefone obtidos pelas operadoras e chegaram ao telefone suspeito de ter sido usado pelos assassinos dentro do carro. Com uma ordem judicial, a polícia teve acesso aos dados de Lessa armazenados na nuvem pelos aplicativos que o PM usava no aparelho.

As autoridades não confirmaram, mas é possível que os dados foram obtidos juntamente ao próprio Google, que armazena dados de buscas e histórico de atividades em dispositivos que usam o sistema operacional Android. Procurado pelo Olhar Digital, o Google declarou por meio de sua assessoria de imprensa que "não comenta casos específicos".

Operação Lume

O outro preso na madrugada desta terça é Élcio Vieira de Queiroz, ex-policial militar acusado de dirigir o carro de onde Lessa atiraria contra o carro de Marielle, matando a parlamentar e seu motorista. Cada um foi preso na respectiva casa, na capital fluminense.

Além dos dados digitais, a polícia se baseou também em depoimentos de suspeitos de envolvimento para efetuar as prisões. A ação da polícia foi batizada de Operação Lume, em referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Caso de Marielle “foi crime político”, diz procurador de Justiça do RJ

Eduardo Gussem se reuniu com familiares da vereadora carioca e ativistas para cobrar respostas sobre o assassinato da parlamentar
RENAN OLAZ/CMRJ
POR METRÓPOLES - Nesta quarta-feira (13/6), um dia antes do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSol) e de seu motorista Anderson Gomes completar três meses, o procurador-geral do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, se reuniu com familiares da parlamentar e representantes da Anista Internacional. O objetivo do encontro foi cobrar respostas do Ministério Público do Rio (MPRJ) sobre as investigações. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Segundo a reportagem, a reunião contou com a participação dos pais de Marielle, Marinete Silva e Antônio Francisco Silva; da viúva Monica Benício e da coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional, Renata Néder. Na ocasião, Eduardo Gussem reafirmou que um grupo foi criado para acompanhar os trabalhos da polícia. Na avaliação dele, o homicídio foi político e premeditado.

“O crime foi executado de forma bem planejada, muito pensada, muito premeditada. Isso é extremamente grave porque atenta contra os direitos humanos. Sem dúvida alguma, foi um crime político para calar uma das maiores, se não a maior, representante de direitos humanos do nosso país. Tentaram calar a comunidade”, disse Gussem, de acordo com o jornal carioca. “As autoridades têm o compromisso da busca pelo esclarecimento com três, quatro, cinco meses. Não é encontrar qualquer culpado. É encontrar o verdadeiro culpado”, enfatizou.

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