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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Qual é a diferença entre pornografia e erotismo?

BLOG DO PARCEIRO: Qual é a diferença entre pornografia e erotismo?

“Tenho duas dúvidas em uma. De onde vem a palavra pornografia? E qual a diferença entre pornografia e erotismo?” (Isaías Marques)
A primeira resposta à consulta de Isaías é simples. A segunda, infinitamente complicada.
Pornografia é um termo que nos chegou em fins do século XIX (dicionarizado pela primeira vez em 1899 por Cândido de Figueiredo, segundo a datação do Houaiss) do francêspornographie.
Esta palavra tinha nascido cerca de um século antes, em torno de 1800, inicialmente com um sentido sisudo: estudo (de saúde pública) sobre a prostituição. Foi em meados do século XIX que passou a ser empregada para designar a arte, em especial aquela produzida na antiguidade – a princípio a pintura –, que retratava temas obscenos.
A raiz do termo francês estava plantada no grego, língua que tinha palavras como pórne, “prostituta”, e pórnos, “que se prostitui”, além de pornographos, “autor de escritos sobre a prostituição”. Prostíbulo era porneion.
Todos esses termos traziam embutida a ideia de comércio, de compra e venda. Há etimologistas que, cavando mais fundo, veem neles a raiz indo-europeia per, “vender”, a mesma que está presente no latim pretium, “preço”.


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Wesley Safadão. Do erotismo ao romântico: o cancioneiro


Pedra Aguda, em Aracoiaba: marco geográfico na terra do Safadão
Numa de suas músicas de maior sucesso, Wesley Safadão verseja: “Sou sem-vergonha mesmo / sou ciumento mesmo / Pra mim não é defeito, é meu jeito de amar”.
O trecho ilumina uma das temáticas clássicas do forró: 
a do homem que, a despeito de ser um cafajeste, confessa-se devotado ao amor doméstico, nisso não vendo qualquer contradição. Essa aceitação do desvio da norma, porém, sugere um caráter com baixa disposição para a autocrítica. A mulher que trate de se haver com essa fraqueza masculina.

A esse ethos “raparigueiro” e monogâmico, um dos pilares do universo forrozeiro, acrescenta-se a narrativa do “solteiro na balada”, muito presente no cancioneiro sertanejo, e a da superação de um amor rejeitado, explorada amplamente no brega, no pagode e no funk.

sábado, 5 de julho de 2014

Qual é a diferença entre pornografia e erotismo?


‘Eros e Psiquê’ (1817), de Jacques-Louis David
 “Tenho duas dúvidas em uma. De onde vem a palavra pornografia? E qual a diferença entre pornografia e erotismo?” (Isaías Marques)

A primeira resposta à consulta de Isaías é simples. A segunda, infinitamente complicada.
Pornografia é um termo que nos chegou em fins do século XIX (dicionarizado pela primeira vez em 1899 por Cândido de Figueiredo, segundo a datação do Houaiss) do francêspornographie.
Esta palavra tinha nascido cerca de um século antes, em torno de 1800, inicialmente com um sentido sisudo: estudo (de saúde pública) sobre a prostituição. Foi em meados do século XIX que passou a ser empregada para designar a arte, em especial aquela produzida na antiguidade – a princípio a pintura –, que retratava temas obscenos.
A raiz do termo francês estava plantada no grego, língua que tinha palavras como pórne, “prostituta”, e pórnos, “que se prostitui”, além de pornographos, “autor de escritos sobre a prostituição”. Prostíbulo era porneion.
Todos esses termos traziam embutida a ideia de comércio, de compra e venda. Há etimologistas que, cavando mais fundo, veem neles a raiz indo-europeia per, “vender”, a mesma que está presente no latim pretium, “preço”.
Curiosamente, o vocabulário do latim clássico (conforme registrado pelo referencial dicionário Saraiva) não tinha nenhuma palavra derivada de pórne. Em seu lugar havia prostituta, também um vocábulo de origem comercial, que em seu sentido literal queria dizer “(mercadoria) exposta”.
No verbete pornography, o dicionário etimológico de Douglas Harper oferece um roteiro sucinto da expansão semântica que levou a pornografia a se tornar o que é hoje: em 1859 o termo já era empregado (de forma crítica) em referência a certos romances franceses da época; no início do século XX, chegou às artes visuais contemporâneas.
Quanto ao erotismo, trata-se de uma palavra que também tem origem grega: erotikós, que fez escala no latim eroticus antes de desembarcar aqui ainda no século XVI, significava “que tem amor, paixão ou desejo intenso”.
Termo derivado de Eros, deus grego do amor (Cupido na mitologia romana), nunca teve a carga negativa das palavras derivadas de porné. Também se referia ao desejo sexual, mas aquele ligado ao amor e não ao comércio.
Assim chegamos à segunda dúvida de Isaías. No campo da indústria cultural, que é aquele em que tais palavras conservam grande relevância no mundo contemporâneo, nunca será pacífica a fronteira entre o erotismo e a pornografia. O senso comum costuma traçá-la nas cenas de sexo explícito, que esta teria e aquele não, mas o critério é enganoso: se o erótico também pode ser explícito, nem sempre o pornográfico o é.
Como princípio, pode-se dizer que é erótico um filme, livro ou pintura que dê a seu tema um tratamento artístico (a arte aqui cumpre o mesmo papel que o amor cumpria na distinção original), enquanto a pornografia está interessada apenas em excitar o freguês – e em ganhar dinheiro com isso.
Ocorre, claro, que todo tipo de complicação moral e estética entra em cena na hora de separar uma coisa da outra. O que é erótico para um pode ser – e frequentemente é – pornográfico para outro.

FONTE: VEJA

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