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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Desfecho surpreendente: Edson Cariús fecha com o Fortaleza e é emprestado ao CRB/AL

Atacante assina com o clube cearense até o fim 2021, mas vai jogar na Série B nesta temporada
Edson Cariús tem 19 gols na temporadaFoto: Reinaldo Jorge / SVM
Enfim, um desfecho. O atacante Edson Cariús assinou contrato com o Fortaleza até o fim de 2021, mas foi emprestado ao CRB até dezembro. O jogador, que estava no Ferroviário, fica no time alagoano até o fim da Série B do Brasileiro.
O Sistema Verdes Mares apurou o acerto com o próprio jogador, enquanto a diretoria do Fortaleza ainda não confirmou o acerto. Na negociação, o Ferroviário fica com 40% dos direitos econômicos e federativos do atleta. O interesse do CRB partiu do técnico Marcelo Chamusca, que já dirigiu Ceará e Fortaleza e está à frente do Galo. O jogador também foi sondado por Avaí e CSA, sem propostas oficiais.
LEIA TAMBÉM: Edson Cariús recusa proposta do Ceará: "Fico em respeito ao Ferroviário"

No plantel, o CRB/AL também apresenta o goleiro Fernando Henrique, ex-Ceará. Em julho, o Galo tentou a contratação do volante Derley, mas teve proposta recusada pelo Fortaleza e gerou uma confusão envolvendo as diretorias, com o presidente do clube, Marcos Barbosa, utilizando as redes sociais para criticar o Leão.
A decisão de Cariús deixar o Ferroviário ocorreu após a eliminação da equipe na Série C. O atleta é o 3ª maior goleador do futebol nacional, com 19 gols na temporada.
Anunciado pelo Tubarão da Barra em abril do ano passado, o centroavante logo conquistou a titularidade absoluta ao manter o faro de artilheiro. Ao todo, totalizou 54 partidas pelo Ferrão e marcou 35 gols, conquistando também os títulos da Taça Fares Lopes e Série D em 2018, todos inéditos na história da equipe.

COMEÇO HUMILDE
Trazendo a cidade-natal no nome, Cariús, no Centro-Sul do Estado, Edson nem sempre foi artilheiro. Filho de agricultores, o futebol ainda era um sonho distante com a necessidade de renda para ajudar dentro de casa.
Chegou a tentar a sorte na base do Icasa, mas não obteve sucesso. O sonho do esporte então se realizou apenas em 2012, quando abandonou a carreira de vendedor de moto e partiu para Iguatu, sem sequer uma formação.
No Azulão, conquistou o acesso à 2ª divisão estadual e acumulou passagens por equipes cearenses até chegar no Floresta, onde obteve a entrada na elite do Estado e o título da Fares Lopes de 2017, levando o Verdão da Vila Manoel Sátiro para a Copa do Brasil. O Ferroviário então surgiu após Cariús brilhar no Estadual de 2018, com nove gols.


FONTE: 
Por Alexandre Mota e Denise Santiago
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/jogada/online/desfecho-surpreendente-edson-carius-fecha-com-o-fortaleza-e-e-emprestado-ao-crb-al-1.2144887

domingo, 31 de agosto de 2014

Mulheres: das sombras para o protagonismo

FUTEBOL É COM ELAS

Mulheres: das sombras para o protagonismo

31.08.2014

Apaixonadas, elas têm tomado todas as áreas do esporte bretão com qualidade e dedicação

PORTRAIT JOGADA
Eveliny Almeida, Gabi Neymar, Denise Santiago e Gabriela Mamede têm em comum a paixão pelo futebol, que carregam desde a infância e hoje virou parte da rotina
FOTO: ALEX COSTA/ BEATRIZ BLEY/ LUCAS DE MENEZES
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A trajetória feminina no futebol era quase inexistente há alguns anos. Por volta de 1941, em meio à ditadura de Getúlio Vargas, um decreto que regulamentava as práticas esportivas no Brasil proibia as mulheres de praticarem o esporte, por achar inadequado à sua natureza. Mesmo com o fim da Era Vargas e a nova constituição em vigor, a lei não foi mudada. Porém, as mulheres encontraram formas de burlar a proibição buscando caminhos paralelos à prática do futebol.
Atualmente, o Ceará tem destaques femininos em todos os setores permeando a modalidade, seja no campo, na torcida ou nas redações.
Principal estrela do futebol cearense, a jovem Gabriela Morais, ou Gabi Neymar, decidiu seguir talvez o caminho mais tortuoso: ser jogadora. Começou a acompanhar o esporte bretão com o pai, que também era jogador. Na rua de casa, jogava em torneios masculinos pela falta de meninas na categoria.
Começou no futsal e logo foi convidada a fazer farte do time Kindermann, de Santa Catarina. Foi lá que ela recebeu o apelido de "Neymar" e chamou atenção.
Entretanto, Gabi decidiu voltar para o Ceará e no time Caucaia ela recebeu reconhecimento. Aos 20 anos, atua também pela seleção brasileira sub-20, motivo suficiente para garantir que já realizou "o sonho" da sua vida. Ainda assim, avisa que pretende estar nas Olimpíadas de 2016.
Arbitrando
Eveliny Almeida foi só mais uma criança que gostaria de seguir a carreira do pai. Tal fato seria algo comum se a profissão não fosse a de árbitro de futebol. Na sala de casa, Eveliny exibe orgulhosa três escudos da Fifa, de 2009, 2010 e 2011.
Única árbitra cearense no quadro da entidade máxima do futebol, a maior influência de Eveliny veio do seio familiar. Ela acompanhava o irmão e o pai, também árbitros, nos jogos e aprendeu a assistir futebol analisando sempre a arbitragem. Ainda assim, por receio, a primeira opção foi ser bandeirinha.
"Tinha medo de apitar o jogo. Ser o árbitro principal demanda coragem para tomar as decisões", define ela.
O temor teve de ser perdido e o preconceito enfrentado. Aos poucos, Eveliny foi impondo respeito aos familiares e aos colegas de trabalho. "Já sofri preconceito por ser mulher. Mas vejo o número de mulheres nas arquibancadas crescer e isso me dá segurança", afirma.
Aos 32 anos, Eveliny se prepara para a volta aos campos em 2015, um ano após ter se tornado mãe.
Na telinha
Quem vê a jornalista Denise Santiago apresentando o programa "A Grande Jogada", da TV Diário, não imagina os caminhos que ela trilhou para chegar a um espaço restrito para mulheres no jornalismo esportivo.
Apaixonada por futebol desde cedo, ela relata que começou a ir aos estádios sem ser influenciada por ninguém. "Mesmo quem não gosta de futebol se envolve com o que está acontecendo. É contagiante", afirma. Anos depois, surgiu a oportunidade de atrelar o profissional ao passional. Denise foi convidada a fazer parte da equipe do programa esportivo "Debate Bola" e começou a comentar sobre futebol.
Para acompanhar os outros comentaristas, Denise conta que teve de mudar o olhar sobre os jogos e estar por dentro de todos os assuntos. Ela afirma que, até hoje, nunca sofreu preconceito por ser mulher. "Sempre recebo críticas construtivas, mas nunca me ofenderam nem denegriram minha imagem", ressalta.
Na torcida
Aos 7 anos, a cearense Gabriela Mamede entrava pela primeira vez no estádio e logo no confronto mais esperado pelos torcedores do Estado: Ceará x Fortaleza. Influenciada pelo tio, Gabriela se apaixonou pelo Alvinegro e o acompanha das arquibancadas.
A paixão surgiu em um lugar incomum para meninas, dentro dos campos. Gabriela jogava futebol e sonhou em ser jogadora, mas desistiu após sentir as dificuldades e a falta de apoio ao futebol feminino no Brasil.
Aos 20 anos, Gabriela relata uma inversão de papéis como um dos momentos mais marcantes de sua história como torcedora: atualmente, é ela quem leva seu pai, que não acompanha futebol, pelo menos no estádio.
(matéria originalmente publicada no Diário Plus)

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