Mariana Branco – Repórter da Agência Brasil

Acordo prevê que apenas navios com bandeiras brasileira e chilena podem fazer transporte de carga entre os países
Acordo prevê que apenas navios com bandeiras brasileira e chilena podem fazer transporte de carga entre os países
O governo discutirá com empresários, no próximo dia 12, a permanência do Brasil em um acordo marítimo com o Chile. O acordo prevê que apenas navios com bandeiras brasileira e chilena podem fazer transporte de carga entre os países. A reunião sobre o assunto será no Itamaraty, com exportadores, importadores, armadores de navios, técnicos da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e possivelmente representantes das agências reguladoras de transportes.
O acordo foi firmado em 1974, para fomentar a indústria de transporte marítimo. Mas, atualmente, setores da indústria e do agronegócio defendem sua extinção. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alegam que o dito desenvolvimento industrial não ocorreu e hoje o acordo beneficia apenas duas empresas: a chilena Hamburg Süd e a brasileira Hapag Lloyd, ambas subsidiárias de grandes grupos da Alemanha.
“Na década de 1990, o próprio governo brasileiro fez uma reavaliação desses acordos [marítimos]. Essa indústria [de transporte marítimo] não tinha surgido. Não faria sentido ter reservas de mercado bilaterais”, afirma Diego Bonomo, gerente de Comércio Exterior da CNI. Segundo Bonomo, nessa época, o país denunciou a maior parte dos acordos então vigentes. A denúncia é um ato unilateral que permite a uma das partes de um acordo internacional deixá-lo.