POR O POVO ON LINE
Na busca dos motivos para o massacre de Munique, discute-se "traços depressivos" do atirador e o termo "suicídio ampliado". Para especialista Georg Fiedler, porém, há muito mais fatores em jogo.
Com a motivação do terrorismo islâmico descartada, um dia após o atentado em Munique a Alemanha procura as causas que levaram um adolescente teuto-iraniano de 18 anos identificado como David S. a atirar a sangue frio contra jovens como ele.
A mídia fala de "suicídio ampliado", e enfatiza dados biográficos do agressor, como traços de caráter depressivos, a passagem por um tratamento psiquiátrico, a preferência por jogos de computador glorificando a violência e a fascinação por assassinatos em massa.
A DW consultou o psicólogo e pesquisador do suicídio Georg Fiedler, que vive e trabalha em Hamburgo, sobre a pertinência real de tais fatos, bem como sobre eventuais paralelos com outras matanças recentes perpetradas por jovens na Europa.
DW: "Traços depressivos" podem levar alguém a voltar uma arma contra outros?
Georg Fiedler: Primeiro é preciso esclarecer que a expressão "traços depressivos" serve para descrever a impressão que alguém transmite a outras pessoas. Portanto a polícia foi bem cautelosa ao descrever o autor do atentado. Pois "traços depressivos" não significa, nem de longe, que alguém sofreu de uma doença psiquiátrica. E, mesmo nesse caso, sofrer de depressão é, na verdade, um obstáculo a cometer uma matança indiscriminada. Se os depressivos direcionam sua agressividade contra alguém, é contra si mesmos. Por isso não se pode partir do pressuposto que uma depressão seja causa ou desencadeador de um ato desses.