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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Conheça a comunidade em que todos estão vacinados e ninguém morreu

Povo Kuikuro montou hospital no Xingu, fez parcerias e contratou médicos e enfermeiros. 

Por Carolina Dantas, G1 - Aldeia do Xingu que fez esquema especial contra a Covid é vacinada e fecha ciclo sem mortes pela doença

Povo Kuikuro formou parcerias, montou hospital e contratou médicos e enfermeiros.

Antes da pandemia chegar, os kuikuro, povo indígena de Mato Grosso, fecharam parcerias, contrataram profissionais da saúde e se informaram sobre a Covid-19. Nesta semana, sem nenhuma morte pela doença desde o começo da pandemia, toda a comunidade se vacinou. Como foi possível manter uma aldeia inteira sem perder ninguém para o coronavírus?

Há seis meses, os Kuikuro já haviam implantado um hospital dentro do território, estavam fazendo isolamento social, e levaram para trabalhar dentro da aldeia enfermeiros e a médica Giulia Parise Balbao.

"A história é bonita porque é coletiva", descreve Giulia. Ela foi contratada após pedir demissão do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, pela Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu. Quase todos os mais de 200 índios acabaram infectados, mas nenhum morreu devido à doença, incluindo os anciãos.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Silvanar Soares, comemora 35 anos de uma vida de missão...

“POR AMOR ÀS COMUNIDADES”.
Era agosto de 1983, um ano de seca e de dificuldades para quem era da roça. E eu ainda tinha 12 anos de idade. A nossa família teve uma dificuldade a mais para enfrentar. Com a doença de Doa Luzia, minha santa e amada mamãe, que teve que ser transferida às pressas para o Hospital São José, com suspeita de meningite, faltou terra nos pés de todos nós. Foi e deixou os três filhos pequenos para serem cuidados pelo marido, que trabalhava de “cassaco” nas frentes de serviço do Governo do Estado, destinadas às famílias sem nada do sertão (era bem diferente do Bolsa Família).

Foi um dos períodos mais difíceis de nossas vidas. Ficar sem o carinho, a companhia e o aconchego de mamãe, não foi nada bom. Eu era o mais velho e tive que dar conta de cuidar da casa, aprender a fazer comida e cuidar de meus irmãos pequenos. Tive que perder muita aula na escola e acabei sendo reprovado, para repetir no ano seguinte, a quinta série, na Escola de Vazantes. 

Mamãe ficou hospitalizada por longos cinco meses. Seu retorno para nós, foi como que chegar ao céu. Muitas pessoas diziam que ela não voltaria com vida e ouvir isso nos fazia sofrer ainda mais. Mas rezava com muita fé, junto com meus irmãos, as orações que mamãe nos tinha ensinado e tínhamos fé em Deus e em Nossa Senhora, que ela ficaria boa e voltaria para cuidar de nós.

Além das tarefas na roça, nos cuidados da casa, da família, mamãe também era catequista, rezava as novenas, os terços, realizava as coroações, fazia dramas, animava as datas comemorativas. Uma dessas pessoas cheias de criatividade e com uma força fora do comum, se esforçava para envolver todas as pessoas nas festividades e celebrações. Uma verdadeira Margarida (adjetivo dado às mulheres lutadoras). E na época, eu estava em preparação para a Primeira Comunhão, que aconteceria em dezembro do mesmo ano e ela era a minha catequista. Como tinha o catecismo dela, sabia todas as rezas e tinha muita força de vontade de ajudar, me propus a dar as aulas de catequese, enquanto minha mãe não voltava. Durante os quatro meses restantes do ano eu assumia todas as tardes de sábado, as tarefas de catequista, onde aprendi muita coisa e onde criei ainda mais gosto pelas coisas da fé, da Igreja, da comunidade. Foi também nesta época, que comecei a ler a Bíblia.

Nesta caminhada, já fui catequista de crianças, catequista de adultos, catequista de jovens, catequista para o matrimonio, batismo, crisma e para a primeira eucaristia, missionário, animador das celebrações, coordenador de Grupo de Jovens, Coordenador Regional e Arquidiocesano de Pastoral da Juventude, Agente da Pastoral da Terra, membro do Conselho de Pastoral da Arquidiocese de Fortaleza, membro da Semana Social Brasileira, animador do Grito dos Excluidos... e por aí vai. Tais ações me inspiraram e me conduziram a agir também nas área sociais, ambientais, culturais e politicas: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Conselho Tutelar, Associação Comunitária, Federação das Entidades Comunitárias, Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Comissão Municipal de Convivência com o Semiárido,  Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, Rádio Comunitária, Partido dos Trabalhadores, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Instituto de Desenvolvimento Familiar, Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local,  Campanha da Cidadania Contra a Fome e Pela Vida, Comissão da Semana das Águas, Cooperativa da Agricultura Familiar do Maciço de Baturité, Rede de Produção Agroecológica do Maciço de Baturité, Associação de Missionários e Missionárias do Nordeste, Encontro de Produtores Orgânicos do Nordeste, Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Território Maciço de Baturité, Grupo dos Devotos do Padre Zé Maria, Programa Raízes do Sertão, Incubadora Tecnológica de Economia Solidária da Unilab... e tantas outras ações com as quais tenho me envolvido, sempre na busca de fazer o bem para as pessoas...

Nesses diversos espaços, conheci e convivi com pessoas especiais, maravilhosas, incríveis e inesquecíveis. Para citar algumas que lembro no momento: Dom Aloisio Lorscheider, Dom Antonio Fragoso, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Geraldo Nascimento, Dom Edimilson Cruz, Dom Plinio Luz, Padre Zé Maria, Padre Haroldo Coelho, Padre Moacir, Padre Fayos, Padre Carlos Alberto, Padre Ermano Alegri, Padre Pedro Rubens, Freir Martins, Frei Dimas, Irmã Valdineia, Irmã Neiva Sampaio, Irmã Elizabete, Irmã Clarice, Irmã Cleide, Irmã Tereza Cristina, Irmã Rosalba, Irmã Neuba Maciel, Irmã Jane, Irmã Matilde, Padre Eudázio, Zé Vicente, Seu Fernand, Dona Zélia, Seu Alberto, Zé Martins... e muitos e muitos outros padres, freiras, militantes, missionários, agentes, jovens, idosos, homens e mulheres incríveis, que me ajudaram e ajudam a ter uma visão ampla da fé, do mundo, da sociedade, da igreja, da realidade... Pessoas que nos ensinaram que “quem não vive para servir, não serve para viver”. Muitas e boas amizades, foram construídas nesta caminhada, entre tantas, destaco meu melhor amigo, Paulo Roberto Girão Lessa (O Beto). Até mesmo a Silvia Carmen, minha amada esposa, conheci num evento das comunidades, ainda nos anos 90 em Baturité.

O Dia Sagrado em que assumi pela primeira vez a coordenação de uma reunião com as crianças do catecismo, sem a presença de um adulto, foi o 20 de agosto de 1983, um sábado as quatro horas da tarde, no oitão lá de casa em Lagoa de São João - Aracoiaba. Esta data é para mim um marco, pois é um dia especial. E nesta segunda feira, dia 20 de agosto de 2018, quero agradecer ao nosso Bom e Maravilhoso Deus, pela minha vocação de Missionário e Seu servidor, ao longo desses 35 anos. Peço a Ele, que me conceda, as graças da fé, da esperança, da ousadia e do compromisso, para manter-me sempre fiel a esta vocação do serviço aos irmãos. Pois já que não fui ser padre, como mamãe tanto desejava, a vocação do serviço, da missão e do compromisso com a construção da nova sociedade, pela qual Jesus Cristo muito lutou e deu a própria vida, não posso e nem quero abrir mão de estar sempre a serviço.

Rendo Graças a Deus por esses 35 anos de caminhada e também aos amigos e aos familiares, que me apoiaram e apoiam nesta longa e difícil jornada. E peço todos e todas que rezem por mim, para que eu consiga manter-me firme e comprometido com tal propósito. Estamos em agosto que é mês vocacional, vale lembrar que serviço aos irmãos e a luta pela justiça e pela construção de um mundo melhor, é a vocação de todas as pessoas. Quero continuar carregando comigo, um lema de vida, que escolhi em 1990: “POR AMOR ÀS COMUNIDADES”.

MUITO OBRIGADO!!

Silvanar Soares Pereira
“Por Amor às Comunidades”

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Documentário traz à tona diversidade da comunidade LGBT

O filme não revela logo os nomes e profissões dos personagens, que aparecem somente nos créditos finais
© Reprodução / Instagram
Não é por trazer um tema novo nem por adotar um formato original que "Abrindo o Armário" se afirma como um documentário relevante no Brasil de hoje. De fato, outros filmes vêm tratando das dificuldades de se assumir homossexual. E, embora o documentário de Dario Menezes e Luis Abramo traga belos planos de transição entre os depoimentos, há um predomínio de entrevistas filmadas conforme as convenções das "cabeças falantes".
No início, a escolha dos entrevistados parece aleatória. Para além de todos se assumirem como gays, o leque é amplo. Há negros e brancos, jovens e menos jovens, ricos, pobres e remediados, gente da periferia e gente do centro, figuras públicas e anônimos. 
Aos poucos, porém, percebemos que mais importante do que as identidades que indicam de onde cada pessoa vem são as transformações e os trânsitos possíveis. O filme não revela logo os nomes e profissões dos personagens, que aparecem somente nos créditos finais. Isso gera certo desconforto, mas contribui para fortalecer algo importante: as identidades não precisam ser fixas.
Não é à toa que Linn da Quebrada, MC que se afirma como "bicha, trans, negra e periférica" ocupa lugar central no roteiro. Ao lado de Jup, com quem se apresenta, Linn faz, no filme, o trajeto de um apartamento em um conjunto habitacional popular, onde mora, até uma casa de shows badalada no centro de São Paulo. 
As diferentes vozes testemunham de alguns pontos comuns: a violência, a dificuldade no assumir-se. Em um momento tocante, o escritor João Silvério Trevisan conta da censura que sofreu -e que lhe custou o abandono da carreira de cineasta. Fala-se, além disso, do incômodo diante da recorrência, no audiovisual, do personagem efeminado como melhor amigo da protagonista, como alguém que entende de decoração, maquiagem, cabelo.
"Tô bonita?", questiona  Linn à plateia em um de seus hits. "Tá engraçada", é a resposta. E a música continua: "Me arrumei tanto pra ser aplaudida e só deram risada". Em dado momento, um dos entrevistados questiona a procura de algo que seja comum a todos os homossexuais, colocando em xeque sobretudo essa visão caricata de alguém alegre e engraçado. "Gays são sobretudo seres humanos; eles têm o inferno e o céu de todo ser humano", diz ele.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sou tua...

(foto:reprodução)
Sou fogo intenso, mulher em chamas constante, ardente e trepidante quando penso em ti.
Sou faca afiada, de dois gumes, quando penso que estás na cama de outra.
Sou loba faminta, insaciável e traiçoeira quando sinto-te distante e não consigo ver o teu olhar.
Sou leste, oeste, todos os pontos cardeais quando quero te encontrar.
Sou teu início e meio, na harmoniosa música que escolhemos para nós dois, o fim ainda por vir jamais será tocada ou ensaiada.
Sou anjo e demônio que te fascina e seduz, sou tua guerra interna nunca vencida e conquistada, sou sonho e realidade, sou o encanto e o desafio maior dentro de ti.
Sou teu fascínio sensual, tua ereção sem controle, teu gemido animal, sou teu lado insano e descontrolado, teu descompasso emocional.
Sou beijo, carícias, toques e sedução, sou teu gozo constante quando estás dentro de mim.
Sou tua...
Só tua.


FONTE: Sensual Comunidade

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Instituição é denunciada por maltratar usuários 02.04.2014

REABILITAÇÃO

Instituição é denunciada por maltratar usuários

02.04.2014

Comunidade Terapêutica Leão de Judá, em Caucaia, é acusada de aplicar punições aos internos


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Fac-símile mostra matéria veiculada no dia 27 de julho do ano passado, apontando que irregularidades no local vão da segurança a questões de higiene
Denúncias de maus tratos e violência contra pessoas em processo de reabilitação de usuários de drogas recaem sobre a Comunidade Terapêutica Leão de Judá. A instituição, que funciona desde 2002, é acusa da de delitos como aplicar punições aos internos através de trabalhos físicos forçados, aplicar medicamentos sem prescrição médica, manter os internos em cárcere privado e sem contato com a família.
Iago Garcia, de 23 anos, é um dos ex-internos da Leão de Judá que decidiu denunciar o tratamento pelo qual afirma ter passado. Ao chegar na comunidade, Iago era transexual, tinha cabelos longos e atendia pelo nome de Amanda. Nas três semanas que passou lá, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2014, ele diz ter sofrido homofobia.
"Fui punido severamente três vezes. Lá eu não podia usar meu nome social e tinha que me vestir com roupas masculinas, mesmo me sentindo como mulher. Uma das punições aconteceu num culto de libertação. Uma das voluntárias chegou perto de mim, cravou as unhas na minha barriga e no meu pescoço. Outros dois voluntários me seguraram e cortaram o meu cabelo à força, mesmo comigo gritando e pedindo para que isso não fosse feito", conta.
Iago ainda alega que, em outros momentos, foi punido tendo que derrubar sozinho dois barrancos e fazer um trabalho de terraplanagem, algo que nunca havia realizado, por ter chegado atrasado a um dos cultos realizados no local. Iago foi obrigado também a jogar, por duzentas vezes, pedras de um quebra-mar localizado atrás da sede da comunidade, em Iparana.
"Essas coisas aconteciam não só comigo, mas com outros três homossexuais que também estavam internados lá. Eu não podia falar com a minha família, pois eles diziam que eu era o portal com o demônio. Me davam remédios que me dopavam e não faziam parte do meu tratamento", coloca Iago.
Convênio público
Iago conseguiu sair da comunidade depois de pular o muro escondido. "Eles tiraram uma parte da minha vida, pois fizeram com que eu perdesse a minha própria identidade", coloca.
A chegada na instituição aconteceu por meio do Hospital de Saúde Mental de Messejana, local onde Iago realizou o tratamento de desintoxicação pelo uso de drogas. A Comunidade Terapêutica Leão de Judá possui convênio de subvenção social com a Secretaria da Saúde do Governo do Estado desde 2006, e também possui convênio com a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Fortaleza.
Além de Iago, outros dois adolescentes afirmam ter passado por maus tratos na comunidade, há três anos. Um deles colocou que era obrigado a limpar fossas nas redondezas. "Eles diziam que era o programa terapêutico deles, a laborterapia", conta o usuário. Outro adolescente afirma que, certa vez, foi trancado junto a outros colegas em um quarto e receberam, à força, medicações para dormir.
Política interna
O Diário do Nordeste entrou em contato com Cristiane Ramires, vice-presidente e diretora executiva da Leão de Judá, que negou todos os fatos narrados pelos ex-internos. Sobre o corte de cabelo forçado de Iago, Cristiane afirmou que a comunidade possui uma política interna para que os atendidos mantenham os cabelos, barbas e unhas aparados, mas espera que cada interno cumpra as determinações. Sobre os trabalhos forçados, ela também coloca que não acontecem na instituição e que também não cobra nenhum valor pelos serviços. "Quando vamos fazer algum trabalho, todo mundo participa. É o dia do mutirão, como nós chamamos, em que todos colaboram na limpeza".
Tratamento
Em relação aos medicamentos, Cristiane Ramires afirma que os remédios só são administrados nos pacientes com a prescrição médica. Ela nega ainda que os internos sejam impossibilitados de deixar o recinto. "Acabamos de contratar um enfermeiro para regularizar melhor a situação com os remédios. Nosso tratamento é voluntário. As pessoas podem ir embora quando elas quiserem", diz.
Os casos de Iago Garcia e dos outros dois adolescentes que conviveram na Comunidade Leão de Judá foram levados à Comissão de Políticas Públicas Sobre Drogas, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A presidente da comissão, Rossana Brasil, afirma que entrará com um processo contra a comunidade. "Já é a segunda vez que a Leão de Judá é denunciada. Nós vamos entrar com um processo e levar o caso ao Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas. É uma instituição que recebe financiamentos federais, estaduais e municipais e está tratando com violência os seus internos. O Iago é a maior prova que nós temos, por isso vamos nos movimentas para que haja justiça no caso", afirma.
O Diário do Nordeste já havia publicado matéria com denúncias contra a instituição. O material veiculado no dia 27 de julho do ano passado aponta que irregularidades no local vão da segurança a questões de higiene e que internos vivem em condições insalubres, sem locais apropriados para dormir, cozinhar e praticar exercícios.
FONTE:
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/instituicao-e-denunciada-por-maltratar-usuarios-1.969702

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