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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

UM AGRICULTOR, UM PESCADOR, UM BOÊMIO, UM ARTISTA, UM SERTANEJO, UM NORDESTINTO, UM SER HUMANO EXEMPLAR...

Nosso abraço solidário para todos os familiares e amigos...
UM AGRICULTOR, UM PESCADOR, UM BOÊMIO, UM ARTISTA, UM SERTANEJO, UM NORDESTINTO, UM SER HUMANO EXEMPLAR...

...esses são alguns dos muitos adjetivos para qualificar um cabra da peste que hoje, se despede deste mundo que ele tanto amou e defendeu como um lugar melhor par se viver. De modo bem particular, a sua querida Volta, que hoje está submersa no “porão” do Açude Aracoiaba.

Constituiu numerosa família, com muitos filhos, filhas, netos, bisnetos... além das muitas e boas amizades que construiu. Sempre fez o bem e assim será eternamente lembrado.

Viveu pobre, mas com dignidade. E com a bravura de um sertanejo valente e disposto a ajudar a quem precisasse, com o que podia (até com o que não podia). O altruísmo, era uma de suas marcas.

Nos seus últimos anos de vida (bem vivida), ficou conhecido como o melhor dançador dos forrós dos idosos, da festa do Reisado Boi Surubim, ou de qualquer festa popular com sanfona, triangulo e zabumba. Por sinal, eu e Dedé do Mundo (seu neto/filho) estávamos preparando um forró da pesada, para o dia 18 de junho de 2022, quando faz 100 anos do seu nascimento. Seria uma festa bem animada!!

Há poucos meses, perdeu sua eterna e amada companheira para a Covid 19 (Dona Venina), e isso vinha judiando muito o seu velho (mas apaixonado) coração. E como a morte sempre quer uma desculpa, hoje ele também se foi, vítima de uma pneumonia. A terra perde um grande homem, mas o céu e nossa família Soares, acaba de ganhar mais um anjo no céu.

#VaiComDeusCiceroSoares

Pois com certeza, sua missão foi cumprida. Estaremos nós, por aqui, até quando Deus permitir, buscando seguir seus passos, seus ensinamentos, seus sonhos.

Que Deus o acolha na Glória Eterna e que nossos corações saudosos sejam consolados.

Nosso abraço solidário para todos os familiares e amigos...

(Esta foto, foi do Primeiro Arraiá da Cecília do Acordeon, realizado em Susto - Redenção, no mês de junho de 2016. E a matutinha que está com ele, é a Maria Rita, que domingo passado, completou 15 anos).

@Silvanar Soares Pereira no Blog do Parceiro

domingo, 22 de setembro de 2019

Mestre chico Soares, 100 anos de existência. Saiba Mais em...

Seu Chico Soares / Foto: Silvanar Soares
Francisco Soares da Silva, o Chico Soares, agricultor, vaqueiro, profeta da chuva, contador de causos, amante do sertão, da cultura popular, da poesia matuta e da vida simples da roça, enfrentou secas, enchentes, epidemias e pestes, farturas e misérias, lutos e festas, doenças e saúde. Nascido em 22 de setembro de 1918, chega ao 100 anos, gozando saúde e feliz por estar rodeado de pessoas que o amam.

Nessas dez décadas de vida, passou por muitas dificuldades e enfrentou muitos desafios, sendo morador e trabalhando em terras dos outros, pelos sistemas de semiescravidão do “fornecimento”, “arrendamento”, “meia” ou “parceria”, de onde tirava o sustento dos filhos e garantia condições dos patrões luxarem e educarem os filhos na cidade grande, com todo o conforte e riqueza. Mesmo assim, era considerado uma pessoa de boa produção, pois produziu muito algodão, milho, arroz, feijão, mandioca e criava gado. Mas sua emancipação se deu com a aposentadoria e a comprar de um pedacinho de terra no final da década de 70, onde criou a segunda família e onde mora até hoje no Distrito de Lagoa de São João - Aracoiaba - Ce.

O filho mais velho do casal Mariá Alves e José Soares, retirantes das secas e perseguidos pelo cangaço, que teve uma prole de treze filhos, dos quais apenas dois estão vivos, ele e o caçula José Soares, enfrentou muitas dificuldades e desafios, tendo que começar a trabalhar na roça com apenas 8 anos de idade. Não teve oportunidade de ir à escola, mas aprendeu tudo sobre a lida na roça, inclusive a de vaqueiro e de observador dos elementos da natureza, que são indicativos de chuva ou de seca, recebendo por isto o título de Profeta da Chuva. Outra grande paixão de sua vida é um lindo roçado de mandioca, tanto amor que o leva a celebrar seus aniversários, com uma farinhada. Sua casa de farinha é por ele considerado o seu maior feito.

Casou-se duas vezes e as duas ficou viúvo. O primeiro matrimonio, com Francisca das Chagas Araujo Silva, lhe rendou sete filhos, quatro dos quais estão vivos (Maria, João, Fátima e José) e do segundo, com Luzia Uchoa Pereira, nasceram mais seis e três estão vivos (Silvanar, Itamar e Luciano). Tem 19 netos e 18  bisnetos.

Com alegria, celebramos os 100 de Chico Soares, rendendo Graças ao Deus, no qual sempre acreditou e esperou, como devoto de São Francisco, São João Batista e Nossa Senhora. Lamenta que um amigo do clero não esteja fisicamente presente a este momento celebrativo, como esteve nos 80 anos, nos 90 e em tantos outros momentos. Mas confia em Deus na sua ressureição e agradece ao mesmo, pelo apoio dado na caminhada de fé. Estamos falando de Padre José Maria Cavalcante Costa (Padre Zé Maria), por quem tinha grande admiração, respeito e amizade. Também lamenta que seus pais, irmãos, esposas, parentes e amigos de infância, tenham partido para o céu tão cedo e não celebre com ele este momento sublime de sua vida, mas acredita no reencontro definitivo lá no céu.

Em sua sabedoria, Seu Chico Soares imprime um jeito sério e honesto de ser nordestino, baseado no que observa da natureza e pela experiência de vida. Ele é do tipo que assegura que a honestidade é o maior valor de um homem.

Sua sabedoria, consegue até mesmo algumas frases de efeito, como: “caixão não tem gavetas, mortalha não tem bolsos”, “pobre é quem só tem dinheiro”, “tudo tem ciência”, “homem que não tem palavra, não tem nada”.

Se fossemos relatar a história e a vida de Chico Soares, teríamos que fazer uma ampla pesquisa e dedicar muito tempo estudando e escrevendo, como talvez se tornasse cansativo para os leitores. Por isso, agradecemos ao Poeta Popular Abelardo Nogueira, um grande amigo da família, que transformou em versos, alguns pequenos retalhos desta saga de 100 anos de Chico Soares.
FOTO: Silvanar Soares / Enviada por whatsapp
Texto Escrito por:
Silvanar Soares Pereira
Lagoa de São João - Aracoiaba - CE, setembro de 2018

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