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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Jovens militares cariocas temem ir a “guerra em casa” no Rio

Jovens integrantes das Forças Armadas oriundos de comunidades pobres do Rio de Janeiro temem ser vistos por traficantes como “o inimigo”
PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
POR METRÓPOLES - O soldado A. viveu dias de apreensão às vésperas da operação conjunta das Forças Armadas e da polícia na Cidade de Deus, zona oeste do Rio, pouco antes do carnaval. Seu temor era ser convocado para atuar na própria comunidade onde nasceu, foi criado e ainda vive com a família. A., a mãe e a avó só se sentiram aliviados quando saiu a escala de serviço: o rapaz, militar há um ano, fora designado para atividades no quartel.

“Seria muito desconfortável. Tem gente que cresceu comigo e hoje está no tráfico. Não sei como ia reagir na hora H”, contou A., revelando um drama pelo qual vêm passando praças envolvidos na intervenção federal no estado do Rio de Janeiro.
Jovens como A., oriundos de comunidades pobres, que ingressaram nas Forças Armadas em busca de emprego estável e ascensão social, temem ser vistos por traficantes no papel de inimigo. Isso poderia desencadear represália para si e para parentes. Para se resguardar, quando em missões nas favelas, eles usam máscaras que cobrem o rosto inteiro – apenas os olhos ficam de fora.
“Até hoje fui poupado, eles dão preferência a pessoas de fora. Mas se tiver de ir, não vai ter jeito. Vou fazer tudo para não ser reconhecido”, disse A.. “Eu não me envolvo com ninguém, mas tenho amigo do lado de lá. Todo mundo tem. Procuro nem passar perto. Acredito na intervenção e na construção de um Rio e um país melhor se as operações forem sérias. Só não adianta fazer operação e sair. Tem de ficar”, continuou.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Ciro Gomes sobre Temer: “Enojante”

REPRODUÇÃO/TWITTER
POR METRÓPOLES - São Paulo – Pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT) fez uma pausa, respirou e refletiu antes de responder a uma das perguntas da jornalista Mônica Bergamo sobre o presidente Michel Temer, durante seminário promovido pela Folha de S.Paulo. “Um ser enojante”, disparou.

Ciro Gomes continuou o ataque ao chefe do Executivo. “É uma figura constrangedora para a sociedade. Mas, pelo menos, ele está lutando, esperneando. Não é como a Dilma, que deixou o país chegar onde chegou. Mas daí a ele ter protagonismo, não tem”, disse o pedetista.

Ao ser questionado se apoia ou não o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gomes afirmou que, para ele, o petista “não é um mito, não é um deus. É um grande brasileiro”. “Lula aboliu a fome do lar de mais de 20 milhões de famílias no país. Isso tudo diante do ceticismo, sim, que se dizia impossível de fazer no Brasil. Então, há um lado a ser elogiado.”

Senado aprova decreto presidencial de intervenção no Rio de Janeiro

POR AGÊNCIA BRASIL - O Senado aprovou, por 55 votos a 13 e uma abstenção, o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro para a área da segurança pública. Com a aprovação da medida pelos deputados e, agora, pelos senadores, o governo federal foi autorizado a nomear um interventor no estado devido ao “grave comprometimento da ordem pública”, como solicitado pelo presidente Michel Temer na última sexta-feira (16).

A votação no Senado durou pouco mais de três horas, a metade do tempo utilizado pela Câmara para discutir e aprovar o decreto, por 340 votos a 72, na madrugada de hoje (20). É a primeira vez que a União intervém em um estado desde 1988.

Durante a sessão, cinco oradores discursaram favoravelmente ao decreto, e cinco contra. Além de questões de ordem para que a votação não ocorresse, a oposição solicitou a criação de uma comissão externa temporária para fiscalizar os desdobramentos da intervenção.

Após a confirmação dos parlamentares, cabe agora ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), publicar um decreto legislativo referendando o decreto e autorizando a nomeação do general Walter Braga Netto.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Crise, falência de UPPs, banalização de fuzis, violência na folia: veja motivos que levaram à intervenção federal no RJ

Imagens de crimes no carnaval foram a gota d'água para o Governo Federal adotar medida já pensada há mais de 1 ano. G1 lista fatos que mostram colapso da segurança estadual; especialistas comentam.
POR G1 - Por Felipe Grandim, Marco Antônio Martins e Nicolás Satriano, G1 Rio
General Braga Netto durante coletiva após decreto
 de intervenção federal na segurança do RJ
 (Foto: Beto Barata/Presidência da República)
A intervenção do Governo Federal na segurança pública do Rio de Janeiro começou a ser planejada há pouco mais de um ano. Em várias ocasiões, a ideia foi rechaçada pelo governador Luiz Fernando Pezão. Militares do Ministério da Defesa, ouvidos pelo G1, contam que a decisão já estava tomada e que havia um plano para ser implementado a qualquer momento. As imagens de violência durante o carnaval carioca foram a gota d'água.

A lista de problemas que levaram à intervenção é extensa, de acordo com especialistas e militares: fracasso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), calamidade financeira, expansão da milícia, corrida armamentista do tráfico.

Problemas que foram amplificados pela crise financeira e política, seguidas das prisões do ex-governador Sérgio Cabral e do presidente do MDB no RJ e então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), o deputado estadual Jorge Picciani, envolvidos em um gigantesco esquema de corrupção, de acordo com a força-tarefa da Lava Jato no estado.

Na quinta-feira (15), no Palácio do Planalto, diante do presidente Michel Temer, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Sérgio Etchgoyen, apresentaram o plano ao governador Pezão. O general Walter Braga Netto foi anunciado como o escolhido para ser o interventor.

Publicamente, divulgou-se que o pedido partiu do governador. Jungmann e Etchgoyen já haviam levado reclamações ao presidente, de acordo com militares. Estavam irritados com os "vazamentos" das inúmeras operações feitas em conjunto desde julho passado com as forças de segurança do RJ, e que teve resultados considerados "pífios" e custos milionários.

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