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domingo, 27 de outubro de 2013

Pastorzinho Adormecido

Pastorzinho Adormecido
 

Vencido pela fadiga,o pobre pastorzinho deitou-se à sombra de
uma grande árvore,à margem da estrada,e dormiu placidamente.
Era um adolescente.Passou pela grande estrada o Rei com sua corte,
de guardas, nobres e cavaleiros.Ao avistar, pois,o jovem pastorzinho,
o Rei parou e dirigindo-se ao oficial que acompanhava,disse-lhe:
- Que belo menino vejo ali,a dormir, sob aquela árvore!
Se a boa-sorte o colocou no meu caminho, para que contrariar
o Destino? Tenho o pressentimento de que poderei realizar
agora o sonho admirável de minha vida!
Vou levar aquele jovem para o palácio e fazê-lo meu herdeiro.
Mas...Como é incerto e caprichoso o destino as criaturas!
Não! não despertarei agora - exclamou afinal.
- Seria uma crueldade arrancá-lo às delícias do sono.
Voltarei depois.
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E assim seguiu o Rei a sua jornada.
Momentos depois,pela estrada silenciosa,passou a princesa,
com suas aias e damas de companhias.
- Que lindo rapaz, vejo ali,a dormir, descuidado,sob a árvore!
Tem, as feições admiráveis do noivo que sonhei para mim.
Vou levá-lo, agora mesmo,para o palácio de meus pais e
elegê-lo meu futuro marido.
E aproximando-se do jovem adormecido,pensou: 
Mas...como é incerto e caprichoso o destino das criaturas!
- Não! Seria impiedade despertá-lo agora!
É bem possível que esteja sonhando comigo!
Voltarei depois, ao cair da tarde!
E assim a princesa continuou seu passeio.
Continuou o jovem pastorzinho a dormir sob a árvore,
quando cruzou a estrada um dosbandido mais perigoso da região.
Ao deparar-se-lhe com o pastorzinho adormecido,
o assassino encheu-se de ódio e furor.
Em seus olhos brilhava a perversidade dos loucos furiosos.
- Que vejo!Um menino a dormir como um ébrio no caminho!
Vou matá-lo, e é para já.
Assim me vingo das perseguições que tenho sofrido da vida.
E arrancando de um afiado punhal,aproximou-se pé ante pé.
do pobre pastorzinho.
Mas...como é incerto e caprichoso o destino das criaturas!
Não, resmungou, afinal.- Não matarei agora! O sono não permitiria,
por certo, que ele sentisse a morte.
Voltarei mais tarde, e então,liquidaremos as nossas contas.
E assim se foi o bandido.
 
Reparai bem.
Quantas vezes, em meio do turbilhão de nossa existência,não ficamos,
como o pastorzinho da lenda,adormecido à margem da
grande estrada da vida?
E de nós também se aproximaram,em certos momentos,
sem que pudéssemos perceber,a Fortuna, o Amor e a Morte
 
(Malba Tahan)   

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