
O grupo Cabras de Peito foi lançando simbolicamente no último dia 1º, na Praia de Iracema. Os principais equipamentos utilizados nessa modalidade são as nadadeiras e os handguns (ou miniaturas de pranchas)
FOTOS: NATINHO RODRIGUES
Nos últimos tempos, a cultura dos esportes em geral tem se disseminado por toda sociedade. Hoje em dia, é comum ver pessoas exercitando-se ao ar livre ou praticando esportes radicais outdoor. Mas, como todos sabemos, nem sempre foi assim.
Até bem pouco tempo atrás praticar esportes era tido por muitos como "coisa para desocupados". E era assim que a maioria dos esportistas eram vistos, sobretudo os adeptos dos boardsports. Por exemplo: ver uma pessoa saindo para surfar em plena semana era quase um sacrilégio. Para a sociedade, era inadmissível que alguém praticasse uma atividade física ao invés de estar trabalhando em plena luz do dia. Por conta disso, muitos abandonaram seus esportes e outros, pior ainda, tiveram seus sonhos implacavelmente castrados pelo preconceito.
Entretanto, nos últimos anos, com o avanço da ciência e dos meios de comunicação, as pessoas passaram a enxergar as atividades físicas como algo imprescindível para a manutenção de uma vida saudável. E o fortalecimento dessa nova mentalidade abriu espaço para a instalação de uma nova cultura que favoreceu a prática de esportes como skate, kitesurfe, windsurfe etc.
Berço do esporte
Outros esportes têm aproveitado essa onda de saúde e boa-forma para reclamar seu lugar ao sol. Como é o caso do bodysurfe. Talvez você não esteja familiarizado com esse nome, mas com toda certeza já tentou fazer o que seus adeptos dominam com maestria, afinal de contas, quem nunca pegou um "jacaré" na praia? Pois é. Lembro bem quando tive contato pela primeira vez com esse esporte. O local foi a Praia de Iracema, lugar que mantém uma estreita ligação com as raízes dessa prática aqui no Ceará (não que o bodysurfe, ou surfe de peito, não tenha outros locais de referência no Estado, mas, a Praia de Iracema é sem dúvida o berço de muitos representantes legítimos dessa arte).
O referido fato ocorreu nos idos de 1994. Um amigo de faculdade, o Riedney, sabendo que eu pegava onda, me chamou para surfar em um pico inédito para mim, a Praia do Zero Hora. Ele tinha me dito que surfava de peito, mas eu não o estava levando aquilo muito a sério.
Contudo, quando cheguei à praia e vi meu amigo pegar ondas incríveis apenas com a ajuda de um par de pés de pato fiquei impressionado. Naquele momento, conheci o bodysurfe e suas infinitas possibilidades.