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terça-feira, 12 de maio de 2020

Estudo indica eficácia do isolamento social contra o novo coronavírus

Pesquisa faz comparação entre medidas adotadas nas regiões Sul e Norte
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Com base nos dados do Ministério da Saúde, o engenheiro químico e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Eduardo Lima verificou que há uma tendência de diminuição do número de mortes pela covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, após a adoção de medidas restritivas à circulação de pessoas.
De acordo com o professor, os estudos têm indicado que a adoção de estratégias de isolamento social surte efeito, em média, de 10 a 14 dias, após o início da medida - mesmo período de incubação do vírus.
Ao analisar os dados oficiais de óbitos por milhão de habitantes, Lima concluiu que os resultados mostram uma tendência mais constante de achatamento da curva após a decretação das medidas restritivas. "Os casos vinham em uma crescente exponencial, mas o gráfico mostra que isso desacelerou, o que é a constatação científica e aferida por números de que o isolamento é eficaz", disse.
Segundo o pesquisador, a comparação entre as regiões Norte e Sul evidencia o impacto positivo do isolamento social. "Até o 11º dia após atingir uma morte por milhão de habitantes – o que na região Sul aconteceu em 12 de abril e, na região Norte, em 15 de abril -, ambas seguiam praticamente a mesma curva, apresentando uma taxa de aumento de cerca de 30% de mortes ao dia”, afirmou.
Com a adoção de medidas de restrição à circulação mais rigorosas, o Sul conseguiu desacelerar o avanço da doença, ao contrário da Região Norte, onde foi registrada menor adesão ao isolamento social. No 20º dia após atingir uma morte por milhão de habitantes, o Sul apresentava taxa de aumento das mortes por dia perto de 10% enquanto, no Norte, esse índice estava perto de 20%.
“Em cerca de dez dias, o Sul reduziu de 30% para perto de 10%. Enquanto o Norte reduziu de 30% para 20% a taxa de aumento do número de mortes por dia”, disse. “Esse foi o problema. Isso fez a curva exponencial de casos da Região Norte explodir. Por isso, deu o problema de sobrecarga no sistema de saúde”.
De acordo com o professor da Uerj, em 27 de abril, a Região Sul tinha 16 óbitos por milhão de habitantes ao passo que a Região Norte apresentava 26 óbitos por milhão de habitantes.
O pesquisador afirma ver com preocupação a situação atual da epidemia no Brasil. “A gente ainda tem aumento expressivo de número de casos, ainda não tem um indicativo de que a gente esteja próximo de chegar ao pico de propagação e governadores e prefeitos estão discutindo medidas de relaxamento do isolamento”, disse Lima. 
“Enquanto a gente ainda não tem uma vacina ou um remédio com comprovação científica de que funcione, a gente não tem outra estratégia que seja tão indicada quanto o isolamento social”, destacou.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Pesquisadora da Uece defende medidas mais duras para isolamento social: "Não é colônia de férias"

A queda dos índices de isolamento ao longo da pandemia têm preocupado autoridades e especialistas. Ceará é quinta federação do País com maior taxa de isolamento
Movimentação na Praça do Ferreira e ruas adjacentes em
 tempos de isolamento social (Foto: JULIO 
CAESAR)
Achatar a curva de crescimento da contaminação pelo novo coronavírus é uma das principais pretensões de autoridades e especialistas da saúde desde o início da pandemia. Medidas como o isolamento social e os auxílios financeiros emergenciais têm sido fundamentais para que o aumento do número de casos seja freado, como explica Thereza Magalhães, professora de enfermagem e membro do Grupo de Trabalho para enfrentamento à pandemia do coronavírus da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

A especialista considera, no entanto, que medidas ainda mais duras devem ser tomadas. Ela lamenta que o isolamento social não esteja sendo cumprido de forma efetiva na Capital, especialmente nas regiões mais carentes. "Quando você vai nos bairros que as pessoas têm menos compreensão da transmissão, muitos veem como férias. Só vem a entender quando tem um caso complicado na família, é um processo doloroso", considera.

De acordo com levantamento feito pela empresa InLoco com o sinal GPS de celulares, o Ceará tem apresentado uma queda significativa no isolamento social. No dia 22 de março, o Estado tinha quase 70% de sua população isolada, porcentagem considerada adequada para boa parte dos especialistas. Nesse domingo, quando o índice foi medido pela última vez, o número estava em 59,3%. Entre todas as federações do País, o Ceará detém a quinta posição com maior índice de isolamento.

O número de óbitos no Estado passou a crescer com maior velocidade após o início de maio. Somente nos três primeiros dias do mês, foram registradas 173 novas mortes, valor 37% maior em relação ao total registrado na primeira quinzena de abril. A letalidade da doença chegou a ultrapassar a média nacional e atingiu índices superiores a 8%. 

Como forma de retomar o isolamento, autoridades do município de Fortaleza e do Estado se planejam para endurecer as medidas em vigor no território. O secretário da Saúde do Estado do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, que havia estimado cerca 250 mortes diárias para maio, defende que o isolamento social é fundamental para a contenção da pandemia.

"Uma realidade pode ser mutável, o que estamos falando é do esforço que as pessoas têm feito. Essa é a realidade (do coronavírus), pode mudar de um dia pro outro e depende de todos nós: do setor produtivo, da sociedade civil, da academia e de nós governo. E nós temos tentado ultrapassar aquilo que a gente é capaz", disse o secretário em entrevista de imprensa na última sexta-feira, 1°. Na ocasião, o governador Camilo Santana (PT) apontou que a possibilidade de um lockdown estava sendo discutida

Na manhã desta terça-feira, 5, Santana anunciou a prorrogação do decreto de isolamento social no Ceará por mais 15 dias. Entre as medidas implementadas, será obrigatório o uso de máscaras e haverá uma maior restrição em relação à entrada e saída da Capital. "Foram apresentados relatórios, inclusive mostrando queda no índice de isolamento e aumento de casos. Foi recomendado por todos os especialistas tomar medidas mais rígidas nesse momento", afirmou o governador.

Colapso do sistema de saúde

A preocupação da gestão pública com a disponibilidade de leitos tem feito com que Governo e Prefeitura busquem construir novas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e adquirir equipamentos essenciais para o tratamento da Covid-19, como os respiradores mecânicos. Segundo dados do IntegraSUS, plataforma da Secretária da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), o hospital Leonardo da Vinci, equipamento público com maior número de leitos disponíveis para Covid-19, já atinge quase 90% de ocupação.

O Executivo estadual prometeu na última sexta-feira, 1°, a construção de mais 100 UTIs para esta semana. Além disso, a Prefeitura de Fortaleza comprou 100 respiradores para a montagem de UTIs na Capital. A expectativa da gestão municipal é que os equipamentos cheguem no início desta semana.

Em entrevista ao O POVO nessa segunda-feira, 4, Ricristhi Gonçalves, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, afirmou que alguns elementos, como a quantidade de óbitos, positividade das amostras, indicam que esta semana seja "bem crítica". Ela explicou que só é possível saber se a curva parou de subir quando se perceber a estabilidade do incremento de casos de um dia para o outro ao longo de um vários dias.

Conforme o último boletim divulgado pela Sesa na manhã desta terça-feira, o Ceará confirmou 11.256 casos de Covid-19 e 733 mortes pela doença. Foram 114 casos e uma morte a mais que o registro feito na noite de ontem. Fortaleza concentra 8.342 casos confirmados e tem também o maior número de óbitos: 567. Na Capital, de acordo com boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o bairro Vicente Pinzón se tornou o território com maior número de óbitos, com 21 casos.

FONTE: O POVO - Por LEONARDO MAIA

domingo, 12 de abril de 2020

Confira pagamentos e tributos adiados ou suspensos durante pandemia

Medidas visam a diminuir impacto da covid-19 sobre economia
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Terminar o mês escolhendo quais boletos pagar. Essa virou a rotina de milhões de brasileiros que passaram a ganhar menos ou perderam a fonte de renda por causa da pandemia do novo coronavírus. Para reduzir o prejuízo, o governo adiou e até suspendeu diversos pagamentos esse período. Tributos e obrigações, como o recolhimento das contribuições para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ficarão para depois.

Em alguns casos, também é possível renegociar. Graças a resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), os principais bancos estão negociando a prorrogação de dívidas. Os agricultores e pecuaristas também poderão pedir o adiamento de parcelas do crédito rural. A Agência Nacional de Saúde (ANS) fechou um acordo para que os planos não interrompam o atendimento a pacientes inadimplentes até o fim de junho.
Além do governo federal, diversos estados estão tomando ações para adiar o pagamento de tributos locais e proibir o corte de água, luz e gás de consumidores inadimplentes. No entanto, consumidores de baixa renda ficarão isentos de contas de luz por 90 dias em todo o país. Os adiamentos não valem apenas para os consumidores. Em alguns casos, a Justiça está agindo. Liminares da 12ª Vara Cível Federal em São Paulo proibiram o corte de serviços de telefonia de clientes com contas em atraso. Diversos estados estão conseguindo, no Supremo Tribunal Federal, decisões para suspenderem o pagamento de dívidas com a União durante a pandemia.

Confira as principais medidas temporárias para aliviar o bolso em tempos de crise:

Empresas

•        Adiamento do pagamento da contribuição patronal ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e dos Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Os pagamentos de abril serão quitados em agosto. Os pagamentos de maio, em outubro. A medida antecipará R$ 80 bilhões para o fluxo de caixa das empresas.
•        Adiamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 15º dia útil de abril, maio e junho para o 15º dia útil de julho.
•        Redução em 50% da contribuição das empresas para o Sistema S por três meses, de abril a junho.

domingo, 27 de outubro de 2019

OEA propõe medidas para combate a notícias falsas em eleições

OEA propõe medidas para combate a notícias falsas em eleições
MARCELLO CASAL JR
A Relatoria para a Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou um guia com recomendações sobre como lidar com a desinformação em contextos eleitorais. O intuito é fornecer subsídios às autoridades dos Estados-membro da organização para lidar com o problema e evitar que esses conteúdos interfiram nos pleitos dessas nações.

A desinformação é definida no documento como a “disseminação massiva de informação falsa com o objetivo de enganar o público com o conhecimento de seu caráter falso”. De acordo com especialistas, esse tipo de ação é potencializada em cenários de intensa polarização política, com os conteúdos falsos servindo de reforço de posições políticas, reproduzindo o que pesquisadores chamam de “câmaras de eco”. Outro fator que estimula a difusão dessas mensagens é o modelo de negócio das plataformas digitais ancorado na publicidade online, baseado na segmentação a partir da coleta e do tratamento de dados.

A desinformação, segue o guia, não é um fenômeno espontâneo, mas possui agentes por trás. “Pesquisas mostram que esses atores são diversos, de Estados buscando influenciar eleições em outras nações a grupos privados com motivações econômicas (contratados para fazer campanhas de desinformação) ou políticas (que promovem essas campanhas para influenciar eleições)”, observam os autores.

O enfrentamento do problema, defende o documento da OEA, deve equilibrar a proteção do debate público com a garantia das liberdades fundamentais, como aquela relacionada à expressão dos indivíduos e coletividades. Para a organização, o combate às fake news deve envolver as plataformas por onde esse material circula, como Facebook, Whatsapp, Twitter, Google e outras. O documento acrescenta ainda que os atores políticos que atuam nas plataformas (como partidos, candidatos e grupos políticos de apoio) também devem ser instados a atuar de maneira ética, trabalhar com informação verdadeira e não violar a proteção de dados dos eleitores.

O guia defende que os Estados não criem em suas legislações tipos penais para criminalizar a divulgação de notícias falsas. “Introduzir tipos criminais, dada a sua natureza de fenômeno vago ou ambíguo, poderia levar a região de volta à lógica de criminalizar expressões sobre autoridades ou pessoas envolvidas em questões de interesse público, além de estabelecer uma ferramenta com um efeito de reduzir a disseminação de ideias, críticas e informação por medo de ser sujeito a um processo criminal”.
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